Eficácia das vacinas AstraZeneca e Coronavac cai em paciente mais velho, diz estudo

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27/08/2021

Um estudo realizado por pesquisadores de diversas instituições brasileiras e também do Reino Unido apresentou um quadro detalhado sobre como a eficiência de vacinas da AstraZeneca/Oxford e da Coronavac varia de acordo com a idade dos imunizados. O levantamento aponta que a proteção contra a covid-19 conferida pelas duas doses das vacinas é menor em pessoas com mais idade.

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A vacina do laboratório europeu AstraZeneca é produzida no Brasil em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Coronavac é produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac.

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Baseada na análise de dados de 75 milhões de pessoas imunizadas no Brasil entre 18 de janeiro e 24 de julho deste ano, a pesquisa aponta que as duas doses da AstraZeneca deram uma proteção de 72,9% contra infecção, de 88% contra de hospitalização, de 89,1% contra internação em UTI e de 90,2% contra óbito.

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Aqueles que receberam as duas doses da Coronavac passaram a ter um risco de infecção 52,7% menor; risco de hospitalização 72,8% menor, risco ser internado em UTI 73,8% menor, risco de morrer 73,7% menor.

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Mas efetividade das duas vacinas é menor em pacientes mais idosos, segundo o estudo.

“Dos 80 aos 89 anos, a vacina AstraZeneca/Fiocruz teve um índice de proteção contra morte de 89,9%, enquanto a CoronaVac apresentou 67,2%. Acima dos 90 anos, esses índices ficaram em 65,4% nos vacinados com AstraZeneca/Fiocruz e 33,6% com CoronaVac”, diz nota da Fiocruz divulgada nesta sexta-feira (27) sobre o estudo.

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“Já tínhamos suspeita da influência da idade na queda da efetividade, porque o mesmo ocorre com outras vacinas. O que fizemos foi delimitar claramente esse ponto de declínio. Essa é também a primeira comparação feita entre vacinas que usam diferentes plataformas”, diz o coordenador do trabalho Manoel Barral-Netto, pesquisador da Fiocruz Bahia, segundo a nota da fundação.

As conclusões podem dar mais base para as novas regras anunciadas nos últimos dias pelo Ministério da Saúde e por alguns governos estaduais de aplicar uma dose de reforço em pacientes idosos. A dose de reforço já vem sendo aplicada em alguns países.

“Considerando o atual cenário no Brasil, nossas descobertas demonstram a eventual necessidade de uma dose de reforço vacinal nos indivíduos acima dos 80 anos que receberam CoronaVac e naqueles acima de 90 anos imunizados com a AstraZeneca/Fiocruz”, escrevem os pesquisadores no estudo.

Além do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz da Bahia), o trabalho foi produzido por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia); da Universidade Federal da Bahia (UFBA); da Fiocruz Brasília; da Universidade de Brasília (UnB); da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop); da Universidade de São Paulo (USP); da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj); e da London School of Hygiene & Tropical Medicine.

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