Doria reitera eficácia da CoronaVac como dose de reforço

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08/09/2021

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reiterou hoje que o Estado usará a vacina CoronaVac como dose de reforço contra a covid-19. Doria afirmou que a CoronaVac é eficaz para uso na terceira dose. O Ministério da Saúde, no entanto, publicou uma nota técnica recomendando que a dose de reforço seja preferencialmente da Pfizer ou ainda da AstraZeneca ou Janssen e excluiu a CoronaVac.

O secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, disse que o Estado incluirá todas as vacinas disponíveis para a dose de reforço. “Não podemos hoje escolher imunizante. Todos têm resposta de proteção. Em São Paulo, utilizaremos todas as vacinas que estiverem disponíveis para proteger a nossa população”, disse o secretário.

Na entrevista, a médica e diretora clínica do Hospital das Clínicas, Heloísa Bonfá, afirmou que todas as vacinas aprovadas e utilizadas se mostraram “altamente efetivas” para reduzir as internações e mortes, e defendeu o uso de vacinas específicas, como a Pfizer, AstraZeneca ou Janssen, para antecipar a segunda dose da população adulta.

“A nossa prioridade, o que deveríamos discutir é reservar as vacinas específicas para finalizar e antecipar a segunda dose da população adulta. Já foi amplamente demonstrado que, para todas as vacinas, a segunda dose é fundamental para proteção, em especial para a cepa delta”, disse. A diretora do HC afirmou ainda que a segunda dose dos adultos é fundamental para a proteção dos idosos.

Segundo Heloísa, não há evidências científicas suficientes para recomendar que a CoronaVac não seja usada para a terceira dose. “A falta de evidência não pode ser utilizada como evidência a favor ou contra. Terceira dose é muito bem-vinda para diminuição de casos e óbitos. Não existem dados de qualidade para recomendar um tipo específico de vacina”, disse a médica. “A prioridade mais importante é finalizar a vacinação completa dos adultos e, se possível, de uma população mais ampla.”

Lotes suspensos

Doria afirmou que o Estado não registrou intercorrências na população que recebeu a vacina CoronaVac de lotes que foram suspensos pela Anvisa. Doria afirmou que toda a documentação exigida pela Anvisa já foi enviada e disse que aguarda a liberação dos lotes.

Mais de 12 milhões de doses da CoronaVac que foram produzidas na China pelo laboratório Sinovac e envasadas em uma fábrica que não tinha autorização da Anvisa foram suspensas no sábado para aplicação. São Paulo aplicou quatro milhões de doses desses lotes que foram vetados temporariamente para o uso.

“São Paulo não registrou nenhuma intercorrência com vacinas da CoronaVac aplicadas de lotes suspensos pela Anvisa”, disse Doria, em entrevista coletiva nesta quarta-feira. O governador afirmou que a vacina passa por um “rigoroso controle” e reforçou que o imunizante contra a covid-19 é “seguro e eficaz”.

“Aguardamos a liberação do lote de vacinas, do novo lote que chegou ao Brasil para aplicação na população do país. A liberação deve ser feita pela Anvisa. Não há mais pendências”, disse o tucano.

No sábado, a Anvisa anunciou a suspensão de mais de 12 milhões de doses da CoronaVac que foram envasadas em uma fábrica na China que não foi inspecionada pela agência brasileira.

Gorinchteyn disse ter orientado os municípios paulistas que aplicaram as doses desse lote a acompanharem as pessoas que receberam a vacina por um mês. “Nenhum dos pacientes que recebeu imunizante apresentou reação mínima que fosse. Todos os dados foram encaminhados à Anvisa para dar celeridade ao processo de análise e liberação dessas doses”, disse.

Presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que São Paulo deve receber toda documentação necessária da “Anvisa chinesa” até sexta-feira. Dimas Covas reforçou que “não existe dúvida sobre a qualidade” dessas doses. “Com relação a esse processo, não há questionamento sobre a qualidade e segurança da vacina”, disse.

O diretor da Anvisa Antônio Barra Torres disse no fim de semana que os Estados e municípios não devem usar as vacinas desses lotes.

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