Dólar varia pouco em meio a tensão política

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06/09/2021

O dólar encerrou a sessão de hoje em ligeira queda, em um dia de baixíssima liquidez nos negócios pela falta da referência de Nova York, enquanto os agentes financeiros aguardavam de maneira cautelosa pelos atos do 7 de Setembro. Os mercados em Wall Street se encontraram fechados por ocasião do feriado de Dia do Trabalho e, amanhã, não haverá negócios por aqui em razão do Dia da Independência, que reserva manifestações a favor do governo de Jair Bolsonaro com potencial de acentuar a tensão institucional entre os Poderes.

Deste modo, no fim do pregão, o dólar comercial recuava 0,14%, para R$ 5,1760, depois de ter batido mínima intradiária a R$ 5,1550.

O dólar até chegou a abrir para cima contra o real, mas, segundo Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, experimentou uma correção em queda que ocorreu em um contexto de liquidez bastante limitada. O movimento foi “motivado por montagem de posições um pouco maiores que são capazes de gerar oscilações expressivas na taxa de câmbio” e de nenhuma forma significa uma tendência consistente para a moeda, disse Argenta.

De acordo com ela, sem indicadores importantes nem aqui nem no exterior, o mercado cambial acabou ficando refém do baixo volume de negócios. “Também há uma expectativa sobre as manifestações do 7 de Setembro, tanto em São Paulo quanto em Brasília. Os agentes financeiros tentam antecipar a temperatura do ânimo das pessoas que estarão nos atos, esse é um fator que traz alguma volatilidade ao dólar”, avalia Argenta.

Para Anilson Moretti, responsável pela mesa de câmbio da HCI Investimentos, o viés acomodatício dos comentários do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, na sua participação no encontro de banqueiros centrais em Jackson Hole, persistiu ecoando entre as principais moedas emergentes, contra as quais o dólar se desvalorizou nesta sessão. “A sinalização de uma manutenção dos estímulos pelo Powell continuou a guiar um alívio para a nossa moeda e outras pares”, nota ele.

Apesar de o real estar operando relativamente melhor do que outros ativos domésticos, como a ponta longa da curva de juros futuros, a Armor Capital vislumbra um cenário de alta volatilidade à frente. Para a gestora, os atos previstos para amanhã a favor do governo são um “risco importante” para a divisa brasileira.

“As preocupações com o risco fiscal continuam, apesar dos dados correntes melhores, pois a flexibilização da regra fiscal mais relevante do país é que está em jogo”, diz a Armor. Nesse sentido, “as manifestações de 7 de Setembro e seus desdobramentos também constituem risco importante para a moeda”, aponta a gestora, no documento.

Um profissional de tesouraria de um grande banco chama atenção para o fato de investidores locais e estrangeiros terem apresentado comportamentos opostos em relação ao dólar ao longo do último mês. Segundo a B3, enquanto os primeiros aumentaram a posição comprada (que ganha com a alta) em dólar em US$ 3,8 bilhões, os últimos reduziram essa mesma posição a favor da divisa americana em US$ 3,6 bilhões (aumentando, assim, a exposição à moeda brasileira).

“Aparentemente, os locais estão focados na deterioração doméstica — perspectivas fiscais, políticas e de crescimento —, mas os estrangeiros estão respondendo aos juros mais altos (carry) e ao sentimento geral por commodities e ativos de risco”, aponta o profissional. “Não é fácil dizer quem está certo, pois o jogo ainda não acabou.”

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