Dólar tem leve baixa pesando cautela externa e realização local

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

17/08/2021

Em linha com o comportamento recente, o mercado de câmbio viveu um novo dia de volatilidade nesta terça. Embora o ambiente local não tenha produzido nenhuma fato relevante novo – o que pode até ser considerado uma boa notícia – o exterior registrou mais um pregão de cautela. Com isso, a moeda americana voltou a testar o patamar de R$ 5,30 e chegou a furar pontualmente o nível. No entanto, tal movimento parece ter chamado uma realização de lucros, o que segurou a cotação para baixo.

No encerramento do dia, a moeda americana fechou negociada a R$ 5,2726, baixa de 0,12%. Com isso, o real foi uma das poucas moedas que se valorizou no pregão. No horário acima, o dólar subia 0,51% contra o peso mexicano, 0,39% frente ao rublo russo e 0,66% na comparação com o peso o rand sul-africano.

Em dois momentos do dia, o mau humor externo fez a cotação testar os R$ 5,30, que acabou prevalecendo. “O mercado continua trabalhando com uma continuidade do ciclo de altas da Selic, que ajuda a conter maior depreciação do câmbio. Então, quando bate nesse nível [de R$ 5,30], o que ocorre é uma realização de lucros por parte de quem está comprado na moeda americana, e isso pode ter sido ajudado por algum fluxo pontual”, comenta um profissional de tesouraria.

Ainda assim, diante de um cenário mais difícil, com pontos de preocupação surgindo tanto lá fora quanto aqui dentro, essa resistência está ameaçada, diz o diretor da WIA Investimentos, José Faria Junior. “Tenho dito a meus clientes que, se o dólar ultrapassar os R$ 5,32, o nosso modelo não sugere mais venda, porque ele pode alcançar os R$ 5,50”, comenta. “Se nada mudar aqui ou no exterior, podemos ver a moeda americana testar patamares mais altos rapidamente”.

Junior cita, entre as preocupações externas, as incertezas sobre o efeito da variante delta da covid-19 sobre o gargalo de oferta mundial e também o receio de que o Federal Reserve possa anunciar que irá reduzir o ritmo de compras de ativos. Em âmbito local, estão as preocupações recorrentes sobre a manutenção do arcabouço fiscal e também o atrito entre representantes dos três poderes.

No Brasil, embora o presidente Jair Bolsonaro siga apostando na radicalização do discurso, afirmando que entrará com pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, o tom de outras lideranças é de redução da temperatura. Segundo apurou o Valor, na reunião de ontem entre o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI) e os presidentes da Câmara e do Senado, os pedidos foram de “união entre poderes” para “acalmar os ânimos”.

Por outro lado, a capacidade do governo de encaminhar as reformas continua sob alvo de dúvidas. Após dizer a lideranças, pela manhã, que manteria a votação do projeto de reforma do Imposto de Renda para hoje mesmo diante da resistência de partidos e setores, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), baixou o tom do discurso. À tarde, reconheceu que ainda há “muita divergência” sobre o projeto e admitiu a possibilidade de novo adiamento. “Se não for a vontade do plenário, vamos respeitar”, declarou.

Lá fora, o viés negativo do dia ocorreu após as vendas no varejo dos Estados Unidos tombarem 1,1% em julho na comparação mensal, muito acima do consenso de baixa 0,3%. O dado tirou força do dólar ante pares desenvolvidos, mas acrescentou ao sentimento global de cautela, que já estava presente desde ontem, em meio questões como a dúvida sobre o impacto da mudança de regime no Afeganistão e a desaceleração econômica da China.

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