Dólar sustenta leve baixa antes de decisões do Fed e Copom

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

22/09/2021

O dólar comercial opera em leve queda nesta quarta-feira, com investidores aguardando as decisões de juros do Federal Reserve (Fed, banco central americano), às 15h, e do Comitê de Política Monetária (Copom), depois do fechamento dos mercados. A notícia de que uma subsidiária da Evergrande na China conseguirá pagar em dia os juros que venceriam nesta quinta-feira traz algum alívio aos mercados globais, sustentando algum apetite por risco antes das decisões dos BCs.

Por volta das 13h20, a moeda americana cedia 0,28%, a R$ 5,2701, após tocar R$ 5,2496 na mínima.

“O que ocorre com a Evergrande não deve dar vazão a um grande contágio financeiro, mas o crescimento na China deve continuar a ser revisado para baixo até que apoio significativamente amplo do governo reapareça. Isto é um vento contrário para moedas emergentes, ainda que o melhor momento para expressar esta ideia serja após algum movimento de alívio relativo à decisão do Fed”, notam estrategistas do Citi em nota.

Em relação ao Fed, duas questões devem ficar no foco das atenções nesta quinta-feira. Uma delas é a atualização do gráfico de pontos, que indica o momento em que os dirigentes do BC americano entende que a primeira alta de juros deve ocorrer. Em junho, o movimento de alguns deles em direção a um primeiro aperto já em 2022 foi um dos responsáveis por desencadear a ressurgência da moeda americana e o enfraquecimento do complexo de emergentes em geral.

O segundo ponto é o tratamento que será dado ao início da redução do volume de compras de ativos. Nos últimos meses, dirigentes têm reiterado que o ‘taper’ está próximo, mas ainda resta alguma dúvida sobre se ele começará este ano ou no próximo.

“Nós esperamos um anúncio formal apenas em dezembro, não novembro, mas iremos reavaliar este call após a reunião”, afirmam economistas do TD Securities. O banco canadense acredita que o gráfico de pontos permanecerá inalterado em relação a junho, o que pode “tirar algum brilho da moeda americana”. “Um comunicado mais duro, por outro lado, pode limitar as perdas do dólar”.

No Brasil, as apostas para o Copom seguem ancoradas em 100 pontos-base desde a última intervenção verbal do presidente do BC, Roberto Campos Neto. A atenção, portanto, se voltará à forma como o comunicado vai tratar as persistentes surpresas inflacionárias e os próximos passos da política monetária.

“A alta inflação é uma dor de cabeça para o BC no Brasil, mas acreditamos que eles não têm opção além de elevar a Selic ao menos em mais 11 pontos-base, para 6,25%. A inflação acelerou para 9,68% em agosto, o que significa que o juro real após a decisão de hoje ainda permanecerá negativo em 340 pontos base”, nota o Société Générale.

No mercado de juros futuros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 7,13% no ajuste anterior para 7,125% e a do DI para janeiro de 2023 recuava de 8,85% para 8,825%. Em vencimentos mais longos da curva a termo, o juro do contrato para janeiro de 2025 seguia estável a 9,84%, ao passo que o do DI para janeiro de 2027 diminuía de 10,25% para 10,23%.

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