Dólar sobe com exterior negativo e cautela local

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

04/10/2021

O mau humor do investidor global volta a dar as cartas nesta segunda-feira, de olho na combinação diante das ameaças inflacionárias, alta dos preços do petróleo e avanço dos rendimentos das Treasuries. No Brasil, este viés apenas intensifica a persistente cautela com o cenário doméstico, em especial na questão fiscal.

Por volta das 13h10, a moeda americana avançava 1,22%, a R$ 5,4337. No mesmo horário, o dólar subia 1,31% contra o rand sul-africano e 0,75% frente ao peso mexicano, mas cedia 0,36% contra o rublo russo.

Lá fora, o dia já começou com a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de não ceder aos apelos e manter o plano de elevação da produção do cartel em 400 mil barris por dia em novembro. O anúncio fez os preços do contrato futuro do WTI serem negociados no maior valor em quatro anos, refletindo a preocupação com a escassez global de energia.

Além disso, a dinâmica de alta dos yields dos treasuries segue em vigor, favorecendo o dólar e derrubando ações nos Estados Unidos, o que contribui para o sentimento geral de aversão ao risco. “Embora juros mais altos nos EUA normalmente pesem sobre o dólar, a moeda parece se beneficiar da liquidação na bolsa, bem como preocupações de que uma alta prematura dos juros pode prejudicar o crescimento”, notam estrategistas do Goldman Sachs. “Para que o dólar se estabilize, seria necessário que o mercado de ações pare de cair e que investidores se tornem mais confortáveis com a ideia de que a normalização da política monetária de grandes BCs não irá descarrilar a recuperação econômica.”

O caldeirão de preocupações globais se soma às preocupações persistentes locais, diz Fernando Bergallo, diretor da FB Capital. “Motivo hoje é o que não falta para o dólar subir”, diz, lembrando de questões ainda sem resolução, como o Auxílio Brasil e a PEC dos precatórios.

O profissional avalia que que as reportagens do “Pandora Papers”, que mostraram que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantêm contas em paraísos fiscais, também contribui com a cautela no pregão de hoje. “Difícil saber se isso vai ter alguma repercussão. A questão é que repercute, dá manchete, as pessoas falam sobre”, diz.

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