Dólar se aproxima de R$ 5,50, refletindo pressão externa

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

05/10/2021

Em novo dia de noticiário doméstico fraco, o dólar voltou a refletir o comportamento dos juros dos treasuries nos Estados Unidos. Em meio a preocupações persistentes sobre a inflação global e o futuro da política monetária do Federal Reserve, a moeda americana manteve o viés de alta, limitando a recuperação do real e de parte dos pares emergentes.

No encerramento do dia, o dólar foi cotado a R$ 5,4840, alta de 0,72%. No mesmo horário, ele avançava 0,71% contra o peso chileno e 0,19% ante a lira turca, mas caía 0,21% frente ao rublo russo e 0,13% na comparação com o rand sul-africano.

Diferentemente de outros mercados, como a bolsa, que conseguiu reverter parte das perdas da véspera, as divisas emergentes continuaram pressionadas pelo avanços dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que também fazem o dólar se fortalecer. O índice DXY da ICE, que compara a moeda americana contra uma cesta de divisas de países desenvolvidos, voltava a operar nos 94 pontos esta tarde.

“Embora tenha sido devagar no início, o ajuste do mercado de câmbio finalmente se alinhou ao movimento dos juros. A alta das taxas nos EUA deve persistir e dar suporte a um dólar mais firme daqui até o fim do ano”, dizem estrategistas do TD Securities.

O avanço dos juros nos EUA recebeu algum suporte do PMI de serviços do ISM de setembro, que avançou a 61,9 pontos, acima do consenso de 60,0. Para o CIO da TAG, Dan Kawa, o número reforça o cenário de recuperação da economia depois da última onda de pandemia. “O número deve reforçar a visão do Federal Reserve sobre redução do QE “em breve””, escreveu o profissional em seu perfil no Twitter.

A surpresa com o dado de serviços eleva as expectativas para o relatório de emprego para setembro, que será divulgado na sexta-feira. Em suas comunicações recentes, o Fed tem dado bastante importância à recuperação do mercado de trabalho local, que segue incerta em meio às várias ondas da covid-19.

No Brasil, a perspectiva da moeda brasileira segue rodeada de incertezas enquanto não se desatam nós como o do novo Bolsa Família e os precatórios. No entanto, para Marcos Weigt, head de Tesouraria do Travelex Bank, a perspectiva da Selic em alta já traz reflexos sobre a volatilidade do real. “Sempre existe algo no radar no Brasil que pode trazer volatilidade. Mas implícita de um mês segue perto de 16,50% – o que é um patamar elevado, mas não tem mais aquela situação em que o real piora em dias que todas vão bem”, diz. “Olhando o comportamento de alguns pares, com o real-rand sul-africano, é possível notar também eles têm andado tranquilos ao mesmo desde junho”, pondera.

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