Dólar opera em baixa em meio a alívio com Evergrande, ao Fed e ao Copom

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

23/09/2021

O alívio relativo dos mercados globais em relação à situação da gigante imobiliária chinesa Evergrande mantém em alta o apetite por risco nesta quinta-feira, ofuscando ligeiramente a repercussão em relação às decisões de juros do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e do Copom. Com isso, a moeda americana opera em baixa desde os primeiros negócios, mas tem apresentado volatilidade ao longo da sessão.

Por volta das 13h, o dólar caía 0,32%, a R$ 5,2877. No mesmo horário ele cedia 0,25% contra o peso mexicano, 0,28% ante o rand sul-africano e 0,19% contra o rublo russo.

A notícia de que a Evergrande honrará um pagamento de US$ 35,9 milhões nesta quinta-feira tira um peso de cima dos mercados globais, que chegaram a cogitar um “momento Lehman” no início da semana. Com isso, ativos de risco como ações e moedas emergentes se fortalecem, ao passo que o dólar volta a afundar, entregando a valorização vista ontem, após o Fed indicar que a redução do volume de compras de ativos deve começar em novembro.

“O tom do Fed foi incontestavelmente ‘hawk’ [inclinado à retirada de estímulos], o que nos fez antecipar a projeção de início do ‘taper’ de dezembro para novembro”, notam economistas do TD Securities. Eles ponderam, por outro lado, que a reação apenas moderada do mercado é um sinal de que este já era algo ao menos parcialmente precificado nos ativos. “O modo ‘risk-on’ visto após a decisão do Fed sugere ainda que o mercado está duvidando do gráfico de pontos mostrado ontem”, acrescentam.

No Brasil, o comunicado do Copom também deixou parte dos analistas com a sensação de que, embora tenha reconhecido as surpresas inflacionárias, o colegiado tenta “ganhar tempo” para entender até que ponto as pressões recentes irão perdurar. “O Copom avança em um ritmo rápido para além da taxa neutra de 6,50%, mas não se compromete com um ciclo muito além dos 8,50%, à medida em que isto não permitiria a ele analisar o estado da economia e a persistência dos choques”, notam economistas do Rabobank.

“Acreditamos que o mercado pode se mostrar um pouco frustrado, já que projeta uma Selic mais alta no fim de 2022. Assim, prevemos uma fraqueza no curto prazo para o real”, acrescentam.

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