Dólar fecha em alta, com incertezas sobre inflação e alta de títulos dos EUA

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04/10/2021

O movimento de alta dos rendimentos dos títulos americanos e os receios com a dinâmica de inflação global voltou a colocar investidores na defensiva no início desta semana, fazendo com que a procura pela proteção do dólar se intensificasse. No Brasil, onde o cenário fiscal segue nublado, este movimento foi suficiente para colocar a moeda americana em patamares não vistos desde o final de abril.

No fim do dia, o dólar foi negociado a R$ 5,4450, alta de 1,43% e perto da máxima intradiária de R$ 5,4565. Este é o maior patamar de fechamento desde 27 de abril, quando a moeda americana fechou cotada a R$ 5,46.

Dessa forma, o real terminou o pregão como a divisa de pior desempenho entre as 33 mais negociadas do mundo. Contra o rand sul-africano, que vem logo abaixo, o dólar subia 1,16% no horário acima.

Lá fora, a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de não ceder aos apelos e manter o plano de elevação da produção do cartel em 400 mil barris por dia fez os preços do contrato futuro do WTI fecharem no maior valor em quatro anos, intensificando os receios com a escassez global de energia e possível reflexo sobre a recuperação.

“Uma questão chave é se os altos preços de energia serão traduzidos em crescimento mais brando. Existem dois cenários possíveis”, diz Lombard Odier em relatório. Segundo o banco suíço, um deles é a possibilidade de as famílias reduzirem seu consumo para arcar com os maiores preços de energia. O segundo é a possibilidade de os BCs de todo o mundo elevarem os juros para conter as pressões inflacionárias decorrentes desse choque.

Outro fator de preocupação foi a dinâmica dos treasuries, alimentada hoje pela negociação tensa em torno do teto fiscal nos Estados Unidos. “Embora juros mais altos nos EUA normalmente pesem sobre o dólar, a moeda parece se beneficiar da liquidação na bolsa, bem como preocupações de que uma alta prematura dos juros pode prejudicar o crescimento”, notam estrategistas do Goldman Sachs. “Para que o dólar se estabilize, seria necessário que o mercado de ações pare de cair e que investidores se tornem mais confortáveis com a ideia de que a normalização da política monetária de grandes BCs não irá descarrilar a recuperação econômica.”

O caldeirão de preocupações globais se soma às preocupações persistentes locais, diz Fernando Bergallo, diretor da FB Capital. “Motivo hoje é o que não falta para o dólar subir”, diz, lembrando de questões ainda sem resolução, como o Auxílio Brasil e a PEC dos precatórios.

O profissional avalia que as reportagens do “Pandora Papers”, que mostraram que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantêm contas em paraísos fiscais, também contribuem com a cautela no pregão de hoje. “Difícil saber se isso vai ter alguma repercussão. A questão é que repercute, dá manchete, as pessoas falam sobre”, diz.

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