Dólar fecha a R$ 5,33 com temor de impacto da crise Evergrande

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

20/09/2021

A preocupação de que um eventual calote da gigante imobiliária chinesa Evergrande possa resultar em um evento do tipo “Lehman Brothers” na segunda maior economia do planeta disparou uma forte onda de aversão ao risco nesta segunda-feira. Em uma semana já delicada nos mercados financeiros por causa das decisões de juros no Brasil, Estados Unidos e outras grandes economias, esse receio fez o dólar se fortalecer contra praticamente todas as demais divisas, exceto aquelas tradicionalmente vistas como “porto seguro”, como o iene japonês e o franco suíço.

No Brasil, a moeda americana chegou a operar em R$ 5,3772 no momento mais nervoso do dia, para depois se acomodar na última meia hora do pregão e encerrar cotada a R$ 5,3327, alta de 0,87%. No mesmo horário, ela avançava 0,85% em relação ao rublo russo, 0,53% na comparação com o peso mexicano e 0,38% frente à lira turca.

Segundo um gestor que prefere não ser identificado, o receio em relação a como pode ser a abertura dos mercados na Ásia nesta madrugada contribuiu para a piora do câmbio durante a parte da tarde – embora os mercados na China continental permaneçam fechados por causa do feriado do Festival de Outono, as bolsa de Tóquio e Hong Kong funcionarão nomalmente.

Uma vez que muito dos desdobramentos do possível calote da incorporadora depende da forma como o governo em Pequim irá lidar com a situação, as análises seguem divididas em relação a qual será a extensão dos estragos mais amplos para os mercados globais e também para as economias emergentes.

Segundo o Wells Fargo, o real está entre as moedas mais sensíveis a uma desaceleração forte e sustentada da China, junto ao rand sul-africano, o rublo russo, o zloty polonês e os pesos do México e da Colômbia. Em uma regressão utilizando dados desde 2016, os economistas do banco encontraram que este grupo tem uma sensibilidade superior a 0,9 às variações do yuan, ou seja, uma desvalorização de 1% da divisa chinesa resultaria em uma depreciação de ao menos 0,90% dessas moedas.

Já em relação ao mercado acionário, o Wells Fargo encontrou uma correlação apenas “moderada” entre Brasil e China. Neste caso, os países que se encontram em maior risco seriam Cingapura, África do Sul e Coreia do Sul.

Vale lembrar que os eventos na China ocorrem em uma semana em que a sensibilidade dos investidores já é alta por causa das decisões de juros do Copom e também de outros grandes bancos centrais lá fora, em especial, do Federal Reserve. Embora siga grande o temor em relação a um possível anúncio do ‘taper’, ou o início da redução do volume de compras de ativos, o TD Securities acredita que o evento acabará tendo pouca repercussão passada a reação inicial.

“O Fed parece comprometido a reduzir os estímulos. No entanto, nossa avaliação é que, mesmo com a redução do volume de compra de ativos, as condições financeiras permanecerão nos níveis mais relaxados em 15 anos”, avalia o TD Securities. O banco canadense acredita que, com uma primeira alta de juros acontecendo apenas em 2023, o risco de um dólar forte emergir novamente é baixo nesse contexto.

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