Dólar e juros futuros sobem com atos do 7 de Setembro e exterior no foco

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08/09/2021

Os mercados locais de câmbio e juros futuros abriram a sessão desta quarta-feira em alta, na medida em que os investidores avaliavam de forma cautelosa os desdobramentos políticos dos atos do 7 de Setembro e o ambiente internacional avesso a ativos de risco.

Por volta das 11h30, o dólar comercial aumentava 1,68%, saindo a R$ 5,2628 no mercado à vista, após bater máxima a R$ 5,2643. A moeda americana, por ora, dá sinais mistos em relação às principais divisas emergentes, e, entre elas, o real só tem desempenho melhor do que a lira turca.

Enquanto isso, o ICE Dollar Index (DXY), que compara o dólar com uma cesta de seis rivais desenvolvidas, estava a 92,74 pontos, em alta de 0,25%, com agentes de mercado apelando à moeda americana por receios no exterior sobre o nível de atividade econômica global, de olho nos riscos gerados pela variante delta da covid-19.

Nos juros, as taxas de mercado voltavam a avançar, ponderando os riscos políticos que se avolumam no radar. O juro do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia de 6,87% para 6,925%; o do DI para janeiro de 2023 avançava de 8,63% para 8,725%; o do contrato para janeiro de 2025 tinha alta de 9,80% para 9,93%; e o do DI para janeiro de 2027 se elevava de 10,27% para 10,40%.

Os agentes financeiros digerem com cautela a elevação de tom do presidente da República em relação às instituições, especialmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) na abertura dos negócios de hoje.

No discurso durante ato em Brasília ontem, Bolsonaro voltou à carga em relação ao “ultimato”, válido para “todos os que estão na Praça dos Três Poderes”. Na ocasião, o presidente fez uma referência apenas velada ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. Mas, na participação dos atos em São Paulo, na Avenida Paulista, subiu o tom: “Sai, Alexandre de Moraes! Deixe de ser canalha!”.

O presidente também afirmou que não cumprirá ordens judiciais emitidas pelo magistrado e que não aceitará o resultado das eleições se o sistema não mudar para permitir a “contagem pública de votos”, não dando sinais de trégua no embate com o Judiciário.

Para a MCM Consultores, o ambiente político continuará tensionado e “ficaram ainda mais desafiadoras as negociações em torno de questões relevantes à agenda de Bolsonaro, como a questão dos precatórios, a reforma do Bolsa Família, a reforma do Imposto de Renda, entre outras”. Nesse sentido, o risco de paralisia dessa agenda deve crescer e a perspectiva é negativa para os mercados locais no pregão de hoje.

A Renascença projeta mais um pregão de alta dos juros futuros, sob a avaliação de um clima institucional “extremamente complicado”. Para a corretora, politicamente, “em nada favorece a Bolsonaro a volta das críticas ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas, principalmente no que tange ao relacionamento dele com Arthur Lira [presidente da Câmara dos Deputados], que semanas atrás pautou o tema do voto impresso no plenário sob a promessa de encerramento desse assunto, o que evidentemente não ocorreu”, diz a corretora.

Com isso, a Renascença chama atenção para eventuais movimentações políticas internas do governo e, também, das elites políticas e econômicas brasileiras diante da escalada das tensões no país, com algumas siglas partidárias de centro-direita já levantando a hipótese de apoio ao impeachment do presidente.

O risco de um processo de impeachment entrou no radar, depois que o PSDB convocou a Executiva do partido para discutir a possibilidade — o governador de São Paulo, João Doria, já passou a defender a tese. Outra reação do meio político foi o cancelamento de votações e reuniões previstas para hoje e amanhã no Senado, decisão do presidente Rodrigo Pacheco.

De acordo com a Genial Investimentos, as manifestações mostraram que, “ao contrário do que muitos acreditavam”, Bolsonaro tem ainda bastante apoio popular, o que também aumenta seu cacife eleitoral. “Por outro lado, o ambiente institucional deve ficar ainda mais tenso. Qual o próximo passo do presidente?”, diz a instituição. “O resultado será mais incerteza e volatilidade e, provavelmente, menos crescimento e mais inflação.”

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