Dólar e juros futuros operam em queda à espera de Fed e Copom

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22/09/2021

O dólar comercial abriu a quarta-feira em baixa moderada, refletindo o tom ameno do exterior, conforme as preocupações sobre a gigante chinesa do setor imobiliário Evergrande arrefecem. Os juros futuros também operam com recuos leves, com os agentes de mercado no aguardo das decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Por volta de 10h10, a moeda americana recuava 0,08%, saindo a R$ 5,2812 no mercado de câmbio à vista.

Contra rivais fortes, a divisa operava praticamente estável, com o ICE Dollar Index (DXY), que compara a moeda a uma cesta de seis rivais desenvolvidas, oscilando em alta de 0,03% para 93,23 pontos. O movimento está em linha com o do juro projetado pelo título do Tesouro americano (Treasury) que vence em dez anos, que avança ligeiramente para 1,329%, de 1,325% no fechamento da véspera, à espera do anúncio do Fed, às 15h.

No mercado local de juros futuros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 7,13% no ajuste anterior para 7,12% e a do DI para janeiro de 2023 recuava de 8,85% para 8,825%. Nos trechos de maior prazo, o juro do contrato para janeiro de 2025 passava de 9,84% para 9,85%, ao passo que o do DI para janeiro de 2027 ia de 10,25% para 10,26%.

O ING Financial Markets aponta que, além de a Evergrande ter alcançado um acordo para honrar o pagamento de juros onshore com vencimento amanhã, o fato de o PBoC (Banco Popular da China) ter realizado nova injeção de liquidez hoje de cerca de 90 bilhões de yuans (US$ 13,9 bilhões) via sistema bancário permite que os ativos de risco “naveguem águas mais calmas” nesta manhã.

O banco holandês pondera que, apesar da “saga” da Evergrande ainda se mostrar chave para direcionar os mercados nesta semana, a decisão do Fed dificilmente pode ser considerada secundária. “O consenso do mercado parece bastante claro: o Fed se absterá de soar muito agressivo. Isso não implica nenhum anúncio de ‘tapering’ [redução da compra de ativos] ainda — com qualquer referência aos planos para desfazer as compras de ativos provavelmente sendo mantidas em aberto quando se trata de timing — e uma reiteração de que o aperto [de juros] não será uma consequência imediata do tapering”, avalia.

Caso o Fed siga tal roteiro, os impactos nos mercados e no dólar deverão ser neutros, diz o ING, mas a instituição avalia que, no “dot plot” — gráfico de pontos compila as opiniões de membros do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) sobre a trajetória das taxas de juros americanas nos próximos anos e no longo termo —, a sinalização implícita deverá ser “hawkish” (inclinação à retirada de estímulos).

“Apesar dos mercados estarem atualmente precificando muito pouco alta de juros para 2022, acreditamos que há algumas expectativas de que a mediana [para a primeira alta de juros] no gráfico de pontos se deslocará para a esquerda para sinalizar uma primeira alta em 2022, em relação a 2023 atualmente”, diz a instituição financeira.

No Brasil, as atenções se voltam à decisão do Copom, publicada apenas após o fechamento dos negócios. A ampla expectativa é de aperto de 1 ponto percentual da taxa Selic, para 6,25% ao ano, com atenção à sinalização dos próximos passos. No front fiscal, a aparente solução concertada entre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o do Senado, Rodrigo Pacheco, pelo pagamento de precatórios respeitando o teto de gastos pode continuar contribuindo para uma retirada do prêmio de risco dos ativos locais ao longo do dia.

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