Dólar comercial opera em queda com tom mais positivo no exterior

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

21/09/2021

O dólar comercial e os juros futuros iniciaram os negócios desta terça-feira em queda, conforme os mercados internacionais devolviam uma parcela das fortes perdas da véspera. Ontem, riscos financeiros e à atividade da China impostos pela situação da Evergrande e o desafio operacional do setor imobiliário chinês afligiram os agentes de mercado e dispararam uma forte aversão a risco global, com claros efeitos negativos no mercado brasileiro.

Por volta das 10 horas, a moeda americana recuava 0,44%, saindo a R$ 5,3092 no mercado de câmbio à vista.

“O dólar recua em relação às máximas de ontem à medida que o ‘risk-off’ se enfraquece um pouco”, dizem os estrategistas do Brown Brothers Harriman, Win Thin e Ilan Solot, citando a baixa do DXY após três dias consecutivos de alta. Eles alertam, no entanto, que “parece muito cedo para dizer que o pior já passou”, uma vez que pode se tratar apenas “da calmaria antes da tempestade”.

“Acreditamos que um Fed [Federal Reserve, o banco central americano] ‘hawkish’ [inclinado à retirada de estímulos monetários] e os riscos contínuos da China ajudarão a manter a recuperação do dólar”, apontam os profissionais.

No mercado de juros futuros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 7,11% no ajuste anterior para 7,09% e a do DI para janeiro de 2023 recuava de 9% para 8,895%. Nos trechos de maior prazo, o juro do contrato para janeiro de 2025 tinha queda de 10,14% para 9,99%, ao passo que o do DI para janeiro de 2027 tombava de 10,54% para 10,38%.

A Renascença DTVM avalia que, como ontem, a tendência é de baixa das taxas de juros locais, diante da perspectiva de atividade global mais fraca. “Ainda que sigam a pleno vapor os debates entre economistas e analistas do mercado sobre a possibilidade de eventual calote da Evergrande gerar eventos mais extremados nos mercados globais nos próximos dias e semanas, tal perspectiva, em nossa avaliação, está em segundo plano neste momento”, diz o departamento de economia da corretora.

“Desse modo, entendemos que o mercado está apostando num quadro de maior desaceleração da atividade econômica da China, o que trará repercussões econômicas e para os mercados ao redor do globo, provocando menor pressão nas curvas de juros globais”, aponta a instituição.

As preocupações sobre a covid-19 no gigante asiático também seguem no radar, dado que, nas últimas 24 horas, houve 42 novos casos de transmissão local na província de Fujian, no sudoeste da China — o novo epicentro da doença no país. Autoridades chinesas têm mantido a estratégia de “tolerância zero” com a covid-19, impondo lockdowns para conter a disseminação do vírus. As medidas, no entanto, têm contribuído para frear ainda mais o nível de atividade econômica do país.

No Brasil, os investidores aguardam pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) bastante alinhados ao plano de voo de aperto de 1 ponto percentual. No mercado de opções de Copom na B3, a probabilidade atribuída a uma elevação de tal dose é de 92% no momento. O front fiscal, no entanto, permanece inspirando cautela, em específico a questão dos precatórios. Hoje, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, se reúnem com o ministro Paulo Guedes para traçar uma solução para o impasse.

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