Dólar comercial opera em baixa com exterior ameno

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

23/09/2021

O dólar abriu a quinta-feira em leve queda, refletindo o tom positivo para os ativos de risco no exterior, enquanto os juros futuros de curto prazo recuavam, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 6,25% ao ano, e antecipar nova alta de igual magnitude para a reunião de outubro.

Por volta das 10h20, o dólar comercial era cotado a R$ 5,2944 no mercado à vista, em recuo de 0,17%, após mínima em R$ 5,2568. O movimento ocorria em linha com o observado entre a maioria das principais divisas emergentes.

Os ativos de risco globais iniciam a quinta-feira registrando ganhos e estendendo o rali das últimas duas sessões, com o arrefecimento de preocupações sobre a Evergrande, que deve honrar o pagamento de 232 milhões de yuans (US$ 35,9 milhões) na dívida denominada em moeda local que vence hoje. A gigante incorporadora imobiliária da China não declarou se vai arcar com o pagamento de US$ 83,53 milhões em juros sobre um título em dólar com vencimento também para esta quinta, mas possui um período de carência de 30 dias caso não cumpra o prazo.

No mercado local de juros, as taxas de curto termo operavam em queda, ponderando os sinais emitidos pelo Copom em sua decisão de política monetária de ontem à noite, enquanto os juros mais longos tinham avanços ligeiros. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caía de 7,16% no ajuste anterior para 7,095% e a do DI para janeiro de 2023 subia de 8,83% para 8,84%. Em vencimentos mais longos da curva a termo, o juro do contrato para janeiro de 2025 variava de 9,81% para 9,87%, ao passo que o do DI para janeiro de 2027 subia de 10,20% para 10,26%.

“A curva de juros poderá mostrar fechamento [queda] de taxas, diante da cena externa positiva para a maioria dos ativos de risco e do conteúdo do comunicado do Copom, o qual, em nossa avaliação, teve um caráter entre ‘dovish’ [inclinação à manutenção dos estímulos monetários] e neutro, especialmente por antecipar novo aumento de 1 ponto na taxa Selic, não chancelando apostas de aperto monetário mais agressivo”, avalia a Renascença DTVM, em relatório matinal pré-abertura.

Em comunicado, o Copom disse julgar que tal ritmo de alta de juros “é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante”. Ao mesmo tempo, avalia que as doses de 1 ponto permitem que sejam obtidas “mais informações sobre o estado da economia e o grau de persistência dos choques” sobre a inflação, a qual o colegiado passou a dizer que “segue elevada”. Além disso, o BC acredita que o avanço nos preços de bens industriais deve persistir no curto prazo. A autoridade monetária segue avaliando que o elevado risco fiscal continua produzindo risco de inflação maior que a projetada no horizonte relevante, a despeito da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública.

Um aspecto que chama a atenção dos agentes econômicos são as projeções do Copom para a inflação de 2022. Enquanto a previsão de inflação em 2021 saltou de 6,5% da reunião passada para 8,5%, a estimativa para inflação em 2022 aumentou ligeiramente, de 3,5% (centro da meta perseguida para o ano) para 3,7%. Segundo o Boletim Focus divulgado pela autoridade monetária na última segunda-feira, a mediana de economistas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação oficial do país — no ano que vem já está em 4,10%.

Para o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, a projeção do BC para IPCA para 2022 estaria mais próxima de 4,0% não fosse por uma mudança na nova premissa do BCB para a “bandeira tarifária”. “O BC presume que a sobretaxa cairá de seu nível extraordinário de ‘escassez hídrica’ em dezembro de 2021 para “vermelha 2” em dezembro de 2022, o que estimamos que representaria um alívio de 0,28 pontos-base [cerca de 0,30 ponto percentual] para o índice cheio da inflação”, diz Secemski, em relatório.

Na agenda do dia, o Tesouro Nacional oferta hoje papéis prefixados, que podem servir de guia para a curva de juros. As Letras do Tesouro Nacional (LTN), títulos prefixados de vencimento curto, a serem ofertadas têm vencimentos em abril de 2022, julho de 2023 e janeiro de 2025, enquanto as Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) vencem em janeiro de 2027 e janeiro de 2031.

Além disso, às 14h30, a Receita Federal divulga o resultado da arrecadação de tributos federais e contribuições previdenciárias de agosto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *