Dólar comercial fecha em baixa, reagindo à ata do Copom

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

10/08/2021

A divulgação de uma ata confirmando o tom mais duro do Copom com a inflação trouxe a política monetária de volta ao centro das atenções do câmbio nesta terça-feira. Contando também com a ajuda de uma certa acomodação com a questão fiscal, a moeda americana se firmou em queda no fim da manhã e voltou a encerrar abaixo do patamar psicológico dos R$ 5,20 pela primeira vez desde quinta-feira.

No encerramento do dia, a moeda americana foi negociada a R$ 5,1967, baixa de 0,96%. Na mínima intradiária, tocou R$ 5,1852. Os demais pares emergentes tiveram oscilação contida, em sua maioria. No horário citado, o dólar subia 0,36% contra o rublo russo e 0,30% frente ao rand sul-africano, mas cedia 0,49% contra a lira turca.

A ata da reunião da semana passada reforçou que o Banco Central pretende colocar o juro básico em nível restritivo, tema que foi reforçado pela fala do diretor de política monetária do BC, Bruno Serra Fernandes. Em conferência organizada pelo Goldman Sachs, o dirigente afirmou que “o BC vem ajustando grau de aperto monetário necessário conforme o cenário vem piorando” e “vai fazer o que for necessário para entregar o centro da meta em 2022 e 2023”.

Uma Selic mais alta eleva o diferencial de juros com o exterior e, com isso, torna o real uma moeda mais atrativa para investidores. Por outro lado, as questões fiscais e políticas, têm pesado sobre o apetite por risco do investidor.

“Estamos vendo mais uma demonstração clara de força do real. O payroll na sexta jogou para cima os juros longos americanos, o que está pesando sobre todas as moedas emergentes. A única divisa que se valoriza contra o dólar no momento é o real, graças à sua enorme desvalorização”, nota o economista-chefe do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Robin Brooks.

“O mercado melhorou hoje um pouco em virtude da fala do dirigente do BC. Além disso, a explicação do governo para a PEC dos precatórios – embora eu não compre muito – parece que agradou um pouco o mercado no sentido de que não iria ter grande mudança fiscal”, diz a economista-chefe e estrategista de câmbio do banco Ourinvest. “De qualquer forma, estamos em um momento de grande volatilidade e isso deve continuar. Mesmo com o BC indicando outra alta de 1% da Selic, ainda não conseguimos ver queda relevante no câmbio, o que demonstra que as preocupações políticas e fiscais são muito maiores.”

Pela manhã, o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, admitiu que o crescimento dos precatórios em 2022 consumiria todo o espaço do teto de gastos, o que inviabilizaria, entre outros gastos, o novo programa que o governo quer aprovar. Por outro lado, ele afirmou que parte do espaço previsto pelo teto atualmente vai para o pagamento dos precatórios. Paralelamente, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), confirmou a votação da PEC do voto impresso ainda hoje. A expectativa é que os deputados enterrem a proposta defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.

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