Dólar comercial avança ante aversão a risco global com Evergrande em foco

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

20/09/2021

O dólar opera em alta nesta segunda-feira, acompanhando a aversão a risco global que dá o tom dos mercados internacionais nesta segunda-feira. No centro das tensões dos agentes financeiros está a iminência de um “default” — descumprimento de obrigações de dívida — por parte da incorporadora chinesa Evergrande, elevando a incerteza sobre os riscos de contágio para outras imobiliárias e setores da segunda maior economia do mundo.

Com isso, investidores reduziam a exposição a risco, demonstrada pelos tombos nos índices acionários da Europa e nos futuros de Nova York, e elevavam a busca por ativos de segurança, como o dólar e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries).

Às 12h45, o dólar comercial avançava 0,77% no mercado à vista, saindo a R$ 5,3273, após máxima em R$ 5,3454, movimento em linha com o observado entre outras moedas emergentes pares do real.

No mercado de juros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 7,09% no ajuste anterior para 7,08%, e a do DI para janeiro de 2023 ia de 9,05% para 9,%. Nos trechos de maior prazo, o juro do contrato para janeiro de 2025 ia de 10,22% para 10,13%, ao passo que o do DI para janeiro de 2027 estava a 10,54%.

A Evergrande, segunda maior incorporadora chinesa que enfrenta graves problemas de liquidez, tem pagamentos de juros de dívida em dólar e moeda local previstos para esta semana. A alta alavancagem da gigante e a iminência de um default eleva a percepção negativa sobre a China, cujo crescimento vem sofrendo uma desaceleração cíclica reforçada pelos bloqueios montados para combater novos casos de covid-19 derivados da variante delta.

“Os detalhes da possível reestruturação da Evergrande ainda são desconhecidos, mas as consequências econômicas da falência da empresa podem ser mais facilmente previstas. Com perspectivas incertas para imóveis e perspectiva de preços estagnados, novas vendas vão afundar mais”, diz a TS Lombard, citando o declínio 18% da venda de imóveis novos na China registrado em agosto.

Neste contexto, a consultoria britânica afirma que a necessidade de estímulos fiscais e monetários adicionais é um “imperativo político claro” na China. “O que é menos claro é o timing desse estímulo. Embora a atividade do setor imobiliário deva ser apoiada no curto prazo pela próxima intervenção do governo, os mercados vão continuar voláteis devido à incerteza sobre a exposição de empresas individuais e bancos à Evergrande e os efeitos potenciais sobre a demanda por commodities, que são os principais insumos do setor”, avalia a TS.

Pressionado pela demanda chinesa mais fraca, o minério de ferro desabou 8,8% para US$ 92,98 por tonelada no porto de Qingdao na madrugada. Foi a primeira vez em quase 15 meses que a cotação à vista da commodity metálica fechou abaixo dos US$ 100 por tonelada.

No Brasil, vale pontuar que as perspectivas para a economia brasileira continuam a se deteriorar, conforme demonstrado pela última edição do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central pela manhã. A combinação de momento é de inflação e juros maiores com uma taxa de crescimento do PIB menor.

Segundo o Focus, a mediana das projeções dos economistas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021 avançou pela 24ª semana seguida (de 8% para 8,35%), enquanto a estimativa para a inflação de 2022 também se elevou (de 4,03% para 4,10%). A expectativa para Selic também subiu (8% para 8,25% neste ano e 8% para 8,50% ano que vem). A projeção para alta do PIB em 2022, de outro lado, recuou (de 1,72% para 1,63%), enquanto a para PIB em 2021 seguiu inalterada (5,04%).

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