CPI da Covid aprova requerimento de quebra de sigilos de diretor da Precisa Medicamentos

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

23/09/2021

Diante da insistência do diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Trento, em permanecer em silêncio mesmo em questões que não levam à autoincriminação, a CPI da Covid aprovou a sua quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático.

O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) sob a justificativa de que Trento não está sabendo diferenciar as perguntas sobre as quais ele é obrigado a responder. A quebra de sigilo também atinge o irmão de Danilo, Gustavo Trento.

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O diretor institucional da Precisa disse que é “amigo pessoal” do presidente da empresa, Francisco Maximiano, suspeito de envolvimento em irregularidades no contrato firmado pelo Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin.

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Trento afirmou que, pelas atribuições de seu cargo, “não participou” das negociações da Precisa, representante da fabricante indiana Bharat Biotech no Brasil, em torno da aquisição das doses de Covaxin.

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Ele reconheceu ter viajado a Índia em pelo menos duas ocasiões, acompanhado de Maximiano e de outra diretora da Precisa, Emanuela Medrades, além de outras pessoas das quais diz não lembrar.

Questionado sobre o preço da Covaxin estar acima do de outras fabricantes, Trento disse que o valor de US$ 15 não estava acima do que era praticado no mercado. Ele também afirmou que o suposto lobista da Precisa, Marconny Faria, nunca prestou serviço à empresa.

“Marconny nunca foi contratado pela Precisa Medicamentos”, disse ele, em uma das raras ocasiões em que respondeu. Confrontado sobre o lobista ter atuado sem contrato, Trento ficou em silêncio.

Em relação ao ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, Trento disse ter feito apenas uma reunião formal com ele, após enviar um e-mail oficial à pasta e marcar uma agenda.

Trento obteve do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso um habeas corpus (HC) para se reservar o direito de ficar em silêncio para fins de não autoincriminação.

Depois que Trento repetiu muitas vezes que não responderia às perguntas, mesmo em questões objetivas, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), o ironizou e pediu que trouxessem um gravador para repetir a fala, de modo que o depoente não se cansasse.

Pedido para o presidente

Danilo Trento disse não ter pedido que o presidente Jair Bolsonaro intercedesse junto ao governo indiano para facilitar as negociações pela compra da vacina Covaxin.

“Como diretor institucional, não [pedi que o presidente Bolsonaro intercedesse junto ao governo indiano nas negociações pela Covaxin”, disse Trento ao ser indagado na CPI.

Em janeiro, Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na qual pediu informou que a Covaxin integra o Programa Nacional de Imunizações. Na época, representantes da Precisa Medicamentos estavam visitando a Índia.

Após a negativa de Trento, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) insistiu ao indagar se algupem da Precisa teria feito esse pedido a Bolsonaro. “Acredito que não”, respondeu o diretor da intermediária.

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