Preço da arroba do boi deve cair mais na praça paulista, diz analista

Existe uma grande diferença entre os preços praticados em São Paulo e nas outras praças importantes do país.

18/05/2022

Preço da arroba do boi deve cair mais na praça paulista, diz analista Douglas Coelho, da Radar investimentos crê que arroba do boi cairá na praça paulista. (Foto: Pixabay)

Os preços da arroba do boi podem sofrer uma queda nos próximos dias no estado de SP. A afirmação é do consultor do consultor Douglas Coelho, da Radar Investimentos, que completou dizendo que “o preço correto da arroba, para esta quarta (18), seria de R$320” e que “o mercado do boi está travado e o pecuarista não se sente atraído”.

De acordo com Coelho, as indústrias tentam comprar os animais a R$310. A referência do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) é de R$334.

Em entrevista ao programa Boletim do Mercado, no site Notícias Agrícolas, o especialista disse que a praça paulista é importante como canal de consumo e exportação, mas existem outras oito no país com preços muito abaixo dos praticados em São Paulo. “A diferença está muito acima do normal”, afirmou.

As praças do Triângulo Mineiro, que geralmente tem um diferencial de 4% a 5%, hoje chega a ser 3 vezes maior. Nas praças de Dourado, no Mato Grosso, e de Rio Verde, a diferença sempre ficou entre 7% a 8%, mas hoje chega a 14%.

“Os frigoríficos que compram muito acabam buscando o gado, uma vez que a distância não é tão grande. Estas praças sempre foram complementares, mas São Paulo está batendo fora do bumbo”, disse. Para ele, os preços na praça paulista podem cair devido a alguns fatores, entre eles, a busca de gado em outras regiões, o frio e o baixo volume diário de negócios.

Outro motivo é a falta de referência para a precificação, pela greve dos fiscais nos portos, que já atrapalha os embarques e os negócios. “Ela está forte e atrapalhando outros setores da economia”.

Quanto às indústrias, Douglas diz que estão fora do mercado, mas que é um bom momento para comprarem boiadas, isso porque as escalas de abate estão entre 5 e 6 dias, há uma desova de gado mais forte no começo da entressafra (maio-junho) e o custo de vida está muito alto. Douglas acredita que a indústria quer, mas não consegue, um preço menor do que está sendo praticado. Porém, prevê que em pouco tempo as indústrias conseguirão e haverá uma pressão nos preços.

Fator China

Coelho explica que historicamente a China tem um baixo consumo per capita de carne bovina, mas, ainda assim, o crescimento das exportações deve se manter em alta. A insegurança que este mercado causa é que na semana passada ele habilitou 31 plantas norte-americanas a exportar para lá.

Mesmo assim, espera-se que o país asiático habilite mais plantas brasileiras e coloque um fim nas suspensões temporárias. “A planta de Marcolândia, que ainda está interditada, é imensa, com um grande potencial, e está à espera de liberação faz tempo”, lembra.  

Para finalizar, Douglas sugere que o pecuarista faça um seguro sobre o valor de venda de suas boiadas para se garantir, porque quem fez o seguro no último mês de novembro, quando houve as suspensões, foi poupado de prejuízos.

Da Redação

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