Confinamento cresce 25,8% e deve seguir em alta em 2022, diz Scot

Aumento mais forte neste ano ocorreu em Goiás, onde número de cabeças subiu 73,5%

26/11/2021

Confinamento cresce 25,8% e deve seguir em alta em 2022, diz Scot Preço da arroba se aproxima de R$ 350.

A Scot Consultoria considera que o confinamento vai continuar crescendo em 2022, com custos de nutrição comedidos e preço da arroba, firme. A conclusão vem depois que um levantamento da Consultoria realizado em 191 propriedades que, juntas, representam 40% do setor no Brasil, mostrou que apenas em 2021 o crescimento foi de 25,8%. A avaliação é do analista de mercado da Scot, Hyberville Neto. Ele estima que 2,09 milhões de animais tenham sido terminados nessas fazendas.

Ainda segundo o levantamento, em 2021 o maior crescimento da atividade foi em Goiás, com alta de 73,5%, com 494,6 mil cabeças. Em Mato Grosso o crescimento foi de 54%, e em São Paulo o avanço foi de 15,5%. O único estado onde a atividade encolheu foi no Rio de Janeiro, com queda de 17%.

Segundo o presidente da Scot Consultoria, Alcides Torres, é a primeira vez em 30 anos que se formaram-se filas em boitéis, enquanto confinamentos de pequeno e médio porte ficaram vazios, relata clipping da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo): “esses confinadores maiores conseguem ter mais escala e reduzir o custo da ração. Então, os menores mandaram o gado para os maiores”, revelou no encerramento do projeto Confina Brasil.

O relatório da Scot trata ainda dos custos da atividade. O custo médio de diária dos animais em confinamento ficou em R$ 15,70 por cabeça, alta de 65,5% em relação ao ano anterior. A consultoria atribui o cenário à alta dos concentrados, como milho, farelos, DDG e WD.

A Abrafrigo relata em seu clipping diário que “nesse contexto de pecuaristas vendendo animais para serem terminados em outras fazendas, 28,3% das propriedades consultadas engordaram gado próprio e animais adquiridos de terceiros; 16,8% atuaram apenas comprando bois magros de outros produtores; e 50,8% confinaram somente os próprios animais”.

Uma opção que a consulta descobriu é que “41,4% das propriedades adotaram também o semiconfinamento e que cerca de 214,1 mil animais passaram por esses sistemas. Assim, o total de animais criados em sistemas intensivos chegou a 2,3 milhões”.

A maioria dos pecuaristas, 90%, disseram que acompanham os custos na ponta do lápis, enquanto outros 7,3% monitoram as despesas diretas e a minoria (2,1%) não dá atenção aos custos. A Scot descobriu que os animais na engorda nessa modalidade têm cerca de 61,1% da dieta de concentrado com teor de fibra bruta e 18% na matéria seca.

Os pesquisadores da Embrapa que participaram do estudo dizem que as “dietas quentes” oscilam de acordo com a região e com o preço de certos insumos. Em Santa Catarina e no Rio Grande de Janeiro, por exemplo, a utilização de volumoso foi maior do que a de concentrado. Há propriedades nesses Estados que trabalham com pelo menos 60%.

De acordo com a Scot, nos confinamentos em que não há inclusão de volumoso, a ideia era aproveitar a fibra efetiva de ingredientes como o caroço de algodão, garantindo o mínimo necessário para o bom funcionamento ruminal. Sistemas de integração lavoura-pecuária ou lavoura-pecuária floresta estão presentes em 58,1% das fazendas que trabalham com confinamento no Brasil, estima o Confina Brasil. Nos três Estados do Sul, o número é ainda maior, variando de 70% a 90,9%.

Da Redação, com Valor Econômico e Abrafrigo.

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