Com avanço da delta, confiança do varejo opera em compasso de espera, diz FGV

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

30/08/2021

A confiança do empresário varejista operou em compasso de espera em agosto, influenciada pelo aumento do número de casos de covid-19 no país. Ao mesmo tempo, a ausência de sinais de retomada mais fortes no emprego tem elevado a cautela do comerciante. A avaliação é do economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rodolpho Tobler, que comentou a queda de 0,1 ponto do Índice de Confiança do Comércio (Icom) em agosto, para 100,9 pontos.

Para o técnico, a trajetória futura do indicador é uma incógnita. Isso porque, caso ocorra uma piora da pandemia devido ao avanço da variante delta, mais transmissível, não estão descartadas novas restrições de circulação social que afetariam os negócios do varejo. Ao mesmo tempo, também não há como saber se ocorrerá melhora no mercado de trabalho nos últimos meses do ano.

Ao comentar a evolução do indicador de julho para agosto, Tobler disse que o Icom caiu por causa da piora na avaliação do varejista sobre momento atual. O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 3,7 pontos, para 105 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE), outro componente do Icom, subiu 3,5 pontos, para 96,7 pontos.

É inegável o impacto do avanço da variante delta, em agosto deste ano, no comportamento do ISA, afirmou Tobler. “É um sinal de alerta. Por mais que o calendário de vacinação tenha avançado, os consumidores estão cautelosos [com a evolução da delta e da pandemia em geral].”

Ele comentou outro aspecto: o fato de que, embora o IE tenha subido em agosto, o patamar do indicador ainda se posicione abaixo de 100 pontos (quadrante favorável do indicador). Na prática, ponderou o especialista, o varejista entende que existe a possibilidade de piora na evolução da pandemia – o que pode acarretar em medidas que possam afastar ou diminuir, novamente, a frequência de consumidores em comércio varejista presencial.

“O horizonte é muito incerto. Isso também ajuda a frear o humor do empresário”, disse, comentando que, atualmente, o varejista põe um “pé no freio” na evolução da confiança.

Tendo em vista todos esses fatores relacionados à pandemia, somado ao fato de que o desemprego ainda opera em alta – o que restringe renda originada do trabalho e, por consequência o consumo no varejo –, não há como prever, no momento e de forma certeira, a trajetória futura do Icom. O técnico lembrou ainda que também não se sabe, com certeza, até quando o auxílio emergencial do governo vai durar, se terminará ou será estendido.

“Não há como prever agora [trajetória do Icom]”, admitiu. “Temos que ver qual será a evolução do emprego e da pandemia nos próximos meses. O ritmo de recuperação [do Icom] vai ser ditado pela pandemia e pelo mercado de trabalho”, resumiu o especialista.

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