Cias aéreas da China mostram preocupação com meta de emissão líquida zero de carbono até 2050

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04/10/2021

As companhias aéreas da China demonstraram preocupação com a meta da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) de atingir emissão líquida zero de carbono até 2050. Antes, o setor global tinha como meta reduzir pela metade as emissões de CO2 até 2050, em relação ao volume registrado em 2005.

A proposta foi aprovada hoje durante a 77ª edição da Reunião Geral Anual da Iata, em Boston, nos Estados Unidos. Durante o evento, diversas aéreas da China levantaram questionamentos sobre o plano, considerado muito ambicioso. No geral, as aéreas chinesas apontaram como meta atingir a emissão líquida zero até 2060.

“As aéreas da China estão comprometidas em atingir a meta, mas o problema era o timeline. A visão geral é que já estamos vendo pressão para atingir a emissão zero antes de 2050, então jogar para 2060 não daria”, disse Willie Walsh, diretor-general da Iata.

A meta do setor, entretanto, depende de soluções tecnológicas ainda não disponíveis. Uma delas é o uso de hidrogênio para a propulsão de aeronaves, algo que deve virar uma realidade em meados de 2035 em aviões entre 50 e 100 passageiros para distâncias curtas.

Segundo Walsh, os consumidores é que vão pressionar as aéreas por soluções mais limpas para o transporte aéreo. Um dos desafios pela frente é elevar a produção de combustível sustentável de aviação (chamado de SAF, na sigla em inglês).

Em 2025, a projeção da associação é que a produção de SAF deverá atingir 7,9 bilhões de litros (2% da demanda total do setor hoje). Em 2030, o número deve chegar a 23 bilhões de litros (5,2% da demanda). A última estimativa é que em 2050 a produção de SAF deverá atingir 449 bilhões de litros (65% da demanda).

Hoje, os aviões poderiam voar com até 50% de combustível sustentável, mas falta produto no mercado. Um avião voando com uma mistura de 50% de querosene tradicional e 50% de SAF conseguiria reduzir a emissão de CO2 em até 40%. As fabricantes estão estudando aeronaves capazes de voar com 100% de SAF. A Boeing fez um voo de teste pela primeira vez em 2018.

“O SAF alimentará a maior parte da mitigação de emissões globais da aviação em 2050. O recém-anunciado grande desafio dos EUA de aumentar o fornecimento de SAF para 11 bilhões de litros até 2030 é um grande exemplo dos tipos de políticas que impulsionarão a aviação mais sustentável”, disse Walsh.

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