Campos Neto: ‘Ruído recente’ levou alguns agentes a reduzir projeções para o PIB em 2022

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19/08/2021

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, destacou nesta quinta-feira que o “ruído recente” em torno de fatores locais está influenciando a revisão para baixo das expectativas de crescimento para 2022 por agentes econômicos. O BC está observando esse processo, acrescentou.

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Em evento promovido pelo Council of the Americas, ele reforçou que a autoridade monetária fará o que for necessário para atingir as metas de inflação e disse acreditar que, com os instrumentos disponíveis, é possível cumprir a tarefa e que o BC está comunicando isso.

A autoridade monetária está olhando de perto a inflação de serviços e a “surpresa” recente nos preços do setor, afirmou. Campos Neto citou também o peso do aumento da energia elétrica sobre as expectativas de inflação.

O dirigente do BC reforçou ainda que, apesar de os dados fiscais indicarem números melhores, o “ruído fiscal” parece ser predominante. Isso, explicou, se dá porque as pessoas estão conectando as eleições e o desejo do governo de produzir um programa social reforçado com os projetos econômicos lançados recentemente.

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“Assim que o governo explicar o que é o Bolsa Família e como será pago e deixar claro que isso não vai romper com a lei de responsabilidade fiscal e todos os elementos fiscais que estamos olhando acho que isso será esclarecido”, disse no evento promovido pelo Council of the Americas.

Sobre os resultados fiscais, citou, por exemplo, que as projeções para a dívida bruta estão melhores hoje do que há cinco meses. “Entendo o barulho que está sendo gerado, acho que isso pode ser explicado”, observou, acrescentando que o governo precisa passar uma mensagem muito responsável em termos de rumo fiscal.

Campos Neto reiterou ainda que a prioridade deve ser garantir a estabilidade dos preços. “Se tem uma coisa que impacta o crescimento sustentável no médio e no longo prazo é inflação e desancoragem da inflação.”

Ele explicou que um cenário de inflação age de formas perversas, desincentivando o investimento e gerando desigualdades, já que as pessoas com mais dinheiro conseguem se proteger com mais facilidade de aumentos de preços, afirmou. Essa desigualdade acaba tendo que ser compensada com aumento de gastos do governo, acrescentou. “A primeira coisa que precisamos garantir é que temos estabilidade de preços.”

Quando o BC diz que vai colocar a taxa de juros acima da neutra está “dando uma mensagem, obviamente” de que considera importante enfrentar o processo inflacionário. “Prioridade é alcançar a meta”, frisou.

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