Brasil é um dos países mais sensíveis à desaceleração da economia chinesa, diz Wells Fargo

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20/09/2021

Dado o status da China como a segunda maior economia do planeta, uma desaceleração no crescimento chinês deve ter consequências negativas para as perspectivas econômicas globais e para os ativos financeiros ao redor do mundo. Assim, o Wells Fargo criou um indicador para medir a sensibilidade de países às oscilações econômicas do gigante asiático, no qual o Brasil aparece como um dos mais vulneráveis à sorte da economia chinesa.

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“Nossa análise indica que os países que dependem fortemente das exportações, dos altos preços das commodities e que estão fortemente integrados ao sistema financeiro da China devem sofrer maior pressão. Nesse sentido, Cingapura e Coreia do Sul são frequentemente citados como os termômetros da economia global, dada sua condição de grandes exportadores e seriam particularmente vulneráveis à China.”, afirmam os economistas do Wells Fargo Brendan McKenna e Jessica Guo.

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No entanto, os analistas apontam que países como África do Sul, Brasil, Chile e Rússia dependem fortemente dos altos preços das commodities, enquanto cada país depende bastante também da exportação de commodities diretamente para a China.

“Uma desaceleração econômica na China provavelmente resultaria em menos demanda por commodities e poderia pesar sobre cada economia. Além disso, cada uma dessas moedas está altamente correlacionada aos preços das commodities, enquanto as empresas relacionadas às commodities constituem um grande componente de cada respectivo índice de ações. Como resultado, cada moeda, bem como os mercados acionários locais, podem ficar sob pressão”, avaliam os profissionais do Wells Fargo.

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Assim, na lista dos países mais expostos, do ponto de vista econômico e financeiro à China estão Cingapura, África do Sul, Coreia do Sul, Brasil, Chile e Rússia.

Na sequência, pelo indicador elaborado pelo banco americano, a vulnerabilidade é menor para Indonésia, Tailândia, Peru, Polônia, México, Colômbia, Filipinas, Índia, Turquia e Israel.

Há três canais avaliados pelo Wells Fargo para mensurar os impactos da desaceleração na economia chinesa em outros países. O primeiro é o da relação direta com a demanda chinesa, através da volatilidade da moeda e dos mercados acionários.

“Rotulamos os países com exportações para a China acima de 6% do PIB como ”altamente sensíveis”. De acordo com nossa análise, e dentro de nossa amostra de países, Cingapura, Coréia do Sul, Chile, Tailândia e Peru são os mais sensíveis devido ao seu alto nível de exposição de exportação para a China”, afirmam. O Brasil, neste caso, registra uma sensibilidade moderada, já que exporta entre 2% e 6% de seu PIB para a China.

Por meio da análise do comportamento das moedas em relação às oscilações na divisa chinesa, o Wells Fargo também aponta que há uma correlação estreita entre o renminbi e o rand sul-africano, o real brasileiro, o rublo russo, o zloty polonês e o peso mexicano e colombiano.

Em uma metodologia semelhante à do mercado de câmbio, “a ferramenta sugere que os mercados de ações locais em Cingapura, África do Sul e Coreia do Sul também são altamente sensíveis a um ‘sell-off’ em ações chinesas”, concluem.

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