Bolsonaro recua, tensão política arrefece e dólar tem queda firme

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09/09/2021

A recuperação parcial que o real ensaiou durante a manhã de hoje, após registrar ontem a maior alta diária em mais de um ano, chegou a parecer ameaçada na segunda metade do pregão pelo mau humor que tomou conta dos mercados locais. No entanto, após flertar voltar a subir, a moeda americana acabou desabando nos minutos finais de negociação, impulsionada pela divulgação de uma nota do presidente Jair Bolsonaro.

Após a nota do Planalto, o dólar chegou a buscar nova mínima do dia, de R$ 5,138, antes de se acomodar e encerrar em baixa de 1,96%, a R$ 5,2233.

No comunicado, o presidente adotou um tom mais conciliador, prometeu respeitar decisões judiciais e disse que algumas declarações suas, “por vezes contundentes”, ocorreram “no calor do momento.”

“Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de esticar a corda, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal”, diz a nota.

Na terça-feira, em sua aparição em manifestação de São Paulo, o presidente havia dito que não iria mais cumprir as decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem chamou de “canalha”.

O tom da nota acabou levando o câmbio à trajetória vista pela manhã, quando o dólar exibia baixa firme, em um movimento de correção frente à alta de 2,93% da véspera e também reagindo ao IPCA mais salgado que o esperado para agosto, que eleva a pressão por altas mais firmes da Selic, bem como o exterior também mais favorável a ativos emergentes.

Apesar do óbvio alívio com a redução da fervura em Brasília, o sentimento de cautela pode ainda persistir. “O problema é que a visibilidade em relação ao comportamento do Bolsonaro é a mesma coisa que projetar inflação no Brasil”, brinca um economista de uma gestora local. “Não tem como prever qual vai ser sua conduta”.

Esse interlocutor nota que, existem alguns eventos no horizonte próximo que podem servir como uma espécie de “prova do pudim” os próximos dias em relação a se o recuo do presidente é duradouro.

Quanto ao relacionamento com o Supremo, um deles é se Moraes abrandará, de alguma forma, sua atuação dentro do inquérito das Fake News, como relaxar a prisão do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) ou do presidente da sigla, Roberto Jefferson. Outro ponto de atenção são as manifestações convocadas pela oposição para o fim de semana – e qual será a reação de Bolsonaro a elas.

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