Bolsonaro comenta atos: “Era mais um na multidão, nada sobe à minha cabeça”

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

08/09/2021

“Ontem eu era mais um na multidão, nada sobe à minha cabeça”, afirmou nesta quarta-feira o presidente Jair Bolsonaro, ao comentar os atos de 7 de Setembro, que ele convocou em sua defesa e contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar dos discursos em tom golpista na terça-feira, o presidente ponderou que “não é fácil” resolver problemas que estão presentes no país “há décadas”.

Ao convocar o povo a ir às ruas, nas últimas semanas, o presidente dizia que os atos seriam uma “fotografia para o mundo” do que a população brasileira quer. Durante a conversa que teve com militantes em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro foi questionado por uma apoiadora se havia alcançado o objetivo. Com expressão fechada, respondeu:

“A gente vai buscar solução para o caso. Não é fácil mudar uma coisa que está há décadas incrustrada no Poder. Alguns querem que eu faça assim e resolva o assunto. Ontem eu era mais um na multidão. Nada sobe à minha cabeça, sei da responsabilidade e para onde o Brasil está marchando também.”

Diante da alta inflação, Bolsonaro voltou a se eximir de culpa pelo preço dos combustíveis, do gás de cozinha e dos alimentos. O presidente ainda sugeriu que as restrições adotadas por governadores e prefeitos, a exemplo das principais lideranças mundiais, foram motivadas por interesses políticos, para “mexer com a economia e derrubar a gente”.

Sem citar nomes, Bolsonaro também reclamou das manifestações de dois partidos políticos, criticando o tom de suas falas durante os atos de 7 de Setembro.

“Dois partidos políticos fazendo nota agora me atacando e falando do preço do combustível e dos alimentos, mas o que os partidos fizeram no ano passado a não ser apoiar as medidas dos governadores? Tem que ter uma consequência, vai ficar em casa? Tem que ter uma consequência”, bradou.

Mais cedo, o DEM e o PSL, que têm quadros divididos sobre apoio ao governo, emitiram nota conjunta repudiando as declarações de Bolsonaro e criticando a sequência de tensões políticas que “nos impedem de darmos respostas efetivas aos milhões de pais e mães de família angustiados com a inflação dos alimentos, da energia, do gás de cozinha, com o desemprego e a inconstância da renda”.

Conselho de Governo

Embora não esteja na agenda oficial, o primeiro compromisso do presidente nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, deverá ser uma reunião com o Conselho de Governo, formado por seus ministros, comandantes das Forças Armadas, presidentes de bancos públicos e outros auxiliares.

O vice-presidente Hamilton Mourão, que compõe o conselho, não participará do encontro pois embarcou mais cedo para uma agenda com embaixadores na Amazônia.

Embora ocorram com frequência, as reuniões do conselho não têm periodicidade definida. Os últimos encontros passaram a ser omitidos nas agendas do presidente e demais autoridades.

O Conselho de Governo é diferente do Conselho da República, citado ontem por Bolsonaro nos discursos em tom golpista, que tem por definição a prerrogativa de tratar de “intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio”, além de “questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”.

Também convocado pelo presidente, o Conselho da República é composto pelos presidentes e líderes da minoria e da maioria do Câmara e do Senado, além do ministro da Justiça e Segurança Pública e seis cidadãos brasileiros (dois escolhidos pelo presidente, dois pela Câmara e dois pelo Senado).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *