BNDES e FGC vão leiloar créditos do Banco Econômico mantidos desde 1995

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09/08/2021

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta segunda-feira (09), em comunicado, que irá leiloar, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), créditos do antigo Banco Econômico mantidos desde 1995. Com valor mínimo de R$ 937,75 milhões, a sessão pública está prevista para 10 de setembro e deve ser realizada de forma virtual, com transmissão pela internet.

De acordo com o comunicado, BNDES e FGC visam com a operação a recuperação de créditos que estão em suas carteiras há 25 anos e sem perspectiva de recebimento antes de 2028. Como eles são reajustados pela Taxa Referencial (TR), zerada desde setembro de 2017, não têm correção desde agosto de 2017, detalhou o banco.

No valor mínimo proposto para ser leiloado, R$ 487,91 milhões são do BNDES e do R$ 449,84 milhões do FGC.

Os investidores interessados devem se qualificar até 8 de setembro. Nessa operação, o comprador deverá efetuar o pagamento à vista ao BNDES e ao FGC, informou o banco.

O BNDES informou que, sem a venda, seria necessário aguardar pagamento da massa liquidanda do Banco Econômico a outros credores que possuem prioridade. Segundo informações do banco, a dívida com o Banco Central (BC), principal credor, só venceria em 2028, por exemplo.

Ainda de acordo com o comunicado, os créditos devidos pelo Econômico somam R$ 14,88 bilhões, sendo que R$ 12,02 bilhões são relativos a credores com direito a receber antes do BNDES e do FGC. Os créditos das instituições são quirografários (sem preferência em caso de falência ou concordata, sendo pago após todos os demais credores), e por isso não possuem preferência na ordem de pagamento, informou ainda o BNDES.

No informe sobre o leilão, o BNDES lembra que o Banco Econômico S.A. entrou em processo de intervenção em agosto de 1995, passando a liquidação extrajudicial em 1996, quando possuía R$ 401 milhões em dívidas relativas a repasses do Sistema BNDES e débitos com o extinto FGDLI – Fundo de Garantia dos Depósitos e Letras Imobiliárias, que foi sucedido pelo FGC quando este foi criado. Posteriormente, esses créditos foram incorporados à massa liquidanda da instituição, informou o banco.

O BNDES lembrou ainda que a cessão de créditos inadimplentes é instrumento bem difundido no mercado bancário brasileiro, já tendo sido adotada inclusive por instituições públicas federais. O mercado conta com diversas empresas especializadas na compra desses títulos e posterior recuperação do crédito, pontuou o banco.

No comunicado sobre o leilão, o diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do BNDES, Bruno Laskowski, comentou que o leilão em parceria com o FGC tem como objetivo possibilitar que o BNDES recupere valor importante de crédito em processo de insolvência na carteira há mais de 25 anos. “A iniciativa tem implicações estratégicas para a instituição, como consolidar a tecnologia financeira de monetização de carteiras de ativos problemáticos do nosso portfólio e, o que é mais significativo ainda, aplicar os recursos obtidos no fomento à atividade econômica no país”, pontuou o executivo na nota.

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