Belo Horizonte volta a proibir público em jogos de futebol

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

23/08/2021

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), voltou a proibir a presença de público em jogos de futebol, após a verificação de aglomerações e descumprimento dos protocolos de segurança contra a covid-19 em jogos do Atlético Mineiro contra o River Plate, pela Copa Libertadores, no dia 18, e do Cruzeiro contra o Confiança, pela série B do Campeonato Brasileiro, no dia 20. As duas partidas foram realizadas no estádio do Mineirão, com liberação de 30% da capacidade do público.

O secretário de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado, disse que a prefeitura tem o cadastro de todos os torcedores que compraram ingressos para os jogos e vai monitorar se haverá contaminação por covid-19 nesse público. “Se verificarmos que não houve impacto dos jogos no número de casos, podemos liberar de novo os jogos, com mais ou menos público”, afirmou.

Machado acrescentou que a prefeitura auditará os testes de covid-19 apresentados pelos torcedores e responsabilizar aqueles que não cumpriram os protocolos de segurança.

Existe preocupação em relação ao segundo jogo da semifinal da Libertadores entre Atlético e Palmeiras, marcada para 28 de setembro, em Belo Horizonte. Machado disse que em algumas semanas será possível saber o reflexo das aglomerações nos estádios no número de casos de covid-19 na capital mineira.

Em entrevista coletiva, Kalil disse que errou ao autorizar a volta dos torcedores aos estádios e que é o responsável por liberar e por vetar de novo o público. “A prefeitura é a única culpada porque ela foi ao comitê [de combate à pandemia] pedir o teste. O prefeito achou que ia dar certo e errou”, afirmou.

O prefeito disse que foram cometidos vários erros no primeiro jogo com público, quando foi observada aglomeração do lado de fora do estádio e muita gente sem máscara. Para o jogo do Cruzeiro, foram adotadas as mesmas regras de jogos da Copa do Mundo, com cadeiras numeradas, colocação de gradis no entorno do estádio para dificultar as aglomerações. Ainda assim, foram registradas aglomerações e torcedores sem máscaras.

“Discurso político partidário”

Na coletiva, o prefeito também afirmou que Ricardo Guimarães, dono do banco BMG e um dos mecenas do Atlético Mineiro, tentou jogar a torcida do clube de futebol contra ele visando a eleição para governador de 2022. Kalil é apontado em pesquisas como principal nome para competir com o atual governador, Romeu Zema (Novo), na corrida pelo governo de Minas Gerais. Zema já confirmou que irá se candidatar. Kalil ainda não foi oficialmente confirmado como candidato do PSD.

“Essa tentativa de jogar a torcida contra mim é um discurso político partidário visando a eleição de 2022. Estão querendo me minar como candidato, pensando que vou concorrer ao governo. Querem me descredenciar com a torcida do Atlético”, disse Kalil.

O prefeito foi criticado por Guimarães em uma emissora de rádio local pela decisão de proibir novamente a presença de público nos estádios em jogos de futebol. O executivo afirmou que a decisão da prefeitura foi “radical” e que o sucesso do Atlético “pode estar causando inveja e ciúmes em gente na prefeitura”, entre outras críticas. Em relação à fala de Guimarães, Kalil disse que “ciúmes e inveja é coisa de gente fracassada, de gente frustrada”, e que não tem esse sentimento pelo clube.

Alexandre Kalil e Ricardo Guimarães já foram presidentes do Atlético Mineiro. Eles têm divergências pelo menos desde 2003, quando atuavam no clube.

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