Barroso diz que descompostura de Bolsonaro “envergonha” o Brasil

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09/09/2021

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta quinta-feira que a falta de compostura do presidente Jair Bolsonaroenvergonha” o país perante o mundo. “A marca Brasil sofre neste momento – e é triste dizer isso – uma desvalorização global.”

Em duro discurso proferido em sessão do TSE, Barroso criticou as pautas antidemocráticas propagadas por Bolsonaro nos atos do 7 de Setembro e alertou que, em vários países do mundo, a corrosão da democracia não se deu por meio de golpe de Estado, mas líderes eleitos pelo voto popular. “É nesse clube que não queremos entrar.”

“Somos vítima de chacota, de desprezo mundial. Um desprestígio maior do que a inflação, o desemprego, a queda de renda, a alta do dólar, a queda da bolsa, o desmatamento da Amazônia, o número de mortos pela pandemia, a fuga de cérebros e de investimentos”, afirmou.

Ele disse que a insistência de Bolsonaro em atacar o TSE é “retórica vazia” e que, exceto os “fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história”.

Barroso, mais uma vez, desmentiu falas de Bolsonaro que descredibilizam as urnas eletrônicas. Ele se disse cansado repetir a tarefa tantas vezes, mas ponderou ser necessário, em nome de “juízes e servidores que servem ao Brasil com patriotismo, não com retórica de palanque, e que não podem ficar indefesos diante da linguagem abusiva e da mentira”.

“Não podemos ser dominados pela pós-verdade e pelos fatos alternativos. A repetição da mentira não pode criar a impressão de que ela se tornou verdade. É muito triste o ponto a que chegamos. Uma das manifestações do autoritarismo é a tentativa de desacreditar o processo eleitoral – assim, em caso de derrota, pode-se alegar fraude e deslegitimar o vencedor.”

Ao citar o “momento delicado” da democracia em outros países, Barroso sugeriu que Bolsonaro contribui para esse cenário preenchendo os requisitos do populismo e do extremismo. “O populismo tem lugar quando líderes carismáticos manipulam a população, prometendo soluções simples e erradas para problemas graves. Quando o fracasso bate à porta, é preciso encontrar culpados”.

O ministro continuou: “O populismo vive de arrumar inimigos para justificar seu fiasco. Pode ser o comunismo, a imprensa ou os tribunais. As estratégias mais conhecidas são o uso das mídias sociais para inflamar as massas e desvalorizar as instituições”.

Sobre o extremismo, Barroso disse que a prática se manifesta “pela intolerância e ataque às instituições e às pessoas e pelo esforço em desqualificar quem pensa diferente”. Ele lembrou as ameaças feitas por bolsonaristas de invadir o Congresso e o STF. “Isso não ocorre porque as instituições não permitem.”

Para Barroso, quando o debate é “contaminado por discursos de ódio, teorias conspiratórias infundadas e campanhas de desinformação, a democracia é aviltada”. “Insulto não é argumento, ofensa não é coragem e a incivilidade é uma derrota de espírito. Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo.”

O presidente do TSE também garantiu que as eleições gerais ocorrerão normalmente no ano que vem. “Com a bênção de Deus – do Deus de verdade, do bem, do amor, do respeito ao próximo – e proteção das instituições, um presidente eleito democraticamente tomará posse em 2023.”

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