Banco da Inglaterra mantém juros e seu programa de compras de ativos

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

23/09/2021

O Banco da Inglaterra (BoE) manteve sua taxa de referência estável e seu programa de compras de ativos (“QE”) intacto, mas tornou público que o debate em torno da mudança de viés de sua política está esquentando.

O BoE disse que seu Comitê de Política Monetária (MPC) “irá, como sempre, focar as perspectivas de médio prazo para a inflação, ao invés de fatores que provavelmente serão transitórios”. E que, neste contexto, “é provável que algum aperto modesto da política monetária ao longo do período de projeção seja consistente com o cumprimento da meta de inflação de forma sustentável no médio prazo”.

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O MPC, composto por nove membros, votou por unanimidade para manter a taxa de juros de referência na mínima recorde de 0,1%.

A autoridade monetária do Reino Unido também manteve seu programa de compras de títulos soberanos (“Gilts”) em 875 bilhões de libras e suas aquisições de corporate bonds de 20 bilhões de libras – perfazendo um total de 895 bilhões em ativos.

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Houve unanimidade na manutenção dos juros, mas não no campo do “quantitative easing”. Dois participantes do MPC, Michael Saunders e David Ramsden, votaram pela redução de 35 bilhões de libras em compras Gilts para 840 bilhões de libras (US$ 1,144 trilhão).

Saunders e Ramsden argumentaram que as crescentes pressões inflacionárias mostram que o banco central corre o risco de ultrapassar persistentemente sua meta de inflação anual de 2%. Saunders já havia pressionado por um movimento semelhante anteriormente, mas esta é a primeira vez que Ramsden se junta a ele.

Na visão da economia, o BoE disse que “apesar da disseminação da variante delta, o impacto da covid na economia do Reino Unido diminuiu”. O PIB deve ter subido 5% no segundo trimestre, cerca de 4% abaixo do nível pré-pandêmico.

Para o BoE, indicadores de alta frequência dos gastos das famílias têm permanecido estáveis, próximos aos níveis anteriores à covid, mas o mercado imobiliário permaneceu forte no período.

Em termos de perspectivas, o PIB deverá crescer cerca de 3% no terceiro trimestre, um ritmo um pouco mais fraco do que o esperado no Relatório de Inflação de maio e deve alcançar seu nível pré-pandêmico no quarto trimestre.

No front inflacionário, projeta-se o CPI suba temporariamente no curto prazo, para 4% no quarto trimestre. Isso vai ocorrer, em grande parte, devido à evolução dos preços da energia e de outros bens. Esta alta vai acontecer antes que a inflação retorne à meta de 2%.

A expectativa central do BoE é que as atuais pressões elevadas sobre os custos globais e domésticos sejam transitórias.

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