Aumento de 10% na pesquisa científica básica do país eleva produtividade em 0,3%, aponta FMI

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06/10/2021

A pesquisa básica é um insumo essencial para a inovação, com reflexos internacionais abrangentes e impactos duradouros para os países que buscam crescimento de longo prazo na economia pós-covid, indica capítulo analítico do World Economic Outlook (WEO), do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta quarta-feira (06).

A pesquisa científica básica, diz o FMI, é um fator-chave de inovação e produtividade, e o conhecimento científico básico se difunde internacionalmente para além do conhecimento aplicado.

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O relatório estima que um aumento permanente de 10% no estoque de pesquisa básica do próprio país eleva a produtividade em 0,3%, enquanto um acréscimo semelhante no estoque de pesquisa básica estrangeira deve ter um impacto maior, aumentando a produtividade em cerca de 0,6%.

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“As repercussões internacionais são particularmente importantes para os mercados emergentes e economias em desenvolvimento, onde fatores institucionais – incluindo melhor educação e mercados financeiros mais profundos – ajudam a converter a inovação em crescimento econômico, proporcionando rápida transferência de tecnologia, fluxo livre de ideias e a colaboração entre as principais prioridades”, aponta o documento.

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Economias avançadas, diz o FMI, podem aumentar o crescimento de longo prazo ampliando o financiamento de pesquisa, visando a pesquisa básica, e desenvolvendo conexões mais estreitas entre a pesquisa pública e privada. O relatório concluiu que a pesquisa científica básica em economias avançadas é subfinanciada.

“Um modelo estimado em três economias avançadas sugere que as taxas de subsídio para pesquisa privada deveriam ser aproximadamente dobradas e os gastos públicos com pesquisa aumentados em cerca de um terço. Direcionar o apoio à pesquisa científica básica proporcionará o maior retorno, mas, quando isso não for possível, mais parcerias público-privadas podem ser um substituto parcial”, afirma.

O fato de o setor privado subinvestir em pesquisa básica não é surpreendente, segundo o FMI, já que os benefícios da pesquisa básica são difusos, o que a torna uma aposta pouco atraente para empresas privadas. “Isso cria uma oportunidade para intervenção política. O capítulo mostra que dobrar os subsídios à pesquisa privada e aumentar os gastos públicos com pesquisa em um terço poderia aumentar o crescimento anual per capita em cerca de 0,2%.”

Ao elevar o potencial de crescimento e a base tributária futura da economia, diz o FMI, esses investimentos tendem a se pagar em cerca de uma década. E, embora essas políticas se paguem a longo prazo, o financiamento ideal para pesquisa pode ser menor em países com restrições fiscais imediatas, aponta.

O FMI cita como exemplo “o desenvolvimento extraordinariamente rápido” de vacinas contra a covid-19, “com base em décadas de pesquisa científica básica anterior” e que “teve a enorme recompensa econômica de antecipar a reabertura de muitas economias”. “O desenvolvimento de vacinas de mRNA contra covid-19 atua como um lembrete gritante da importância da ciência para a inovação e o crescimento”, afirma.

A falta de integração científica entre grandes economias, por outro lado, pode trazer prejuízos econômicos globais. O relatório estimou que a dissociação da pesquisa científica básica entre Estados Unidos e China pode ter grandes efeitos negativos sobre a produtividade global, com uma queda estimada inicial de até 0,8%.

Os investimentos em pesquisa básica, acrescenta o FMI, também podem ter benefícios verdes, “já que as inovações tecnológicas mais limpas dependem de pesquisas mais recentes e fundamentais”.

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