Aliado fiel do governo, Bittar quer assumir relatoria da privatização dos Correios

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

08/09/2021

Conhecido por ser um aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, o senador Marcio Bittar (MDB-AC) entrou nas articulações para garantir que o projeto de privatização dos Correios comece a tramitar no Senado. A matéria está parada há semanas porque poucas bancadas têm mostrado interesse em defender a quebra do monopólio de serviços postais no país. Diante disso, Bittar procurou o MDB, seu partido, para pedir que a legenda o indique para essa tarefa.

A proximidade de Bittar com o Palácio do Planalto tem, inclusive, incomodado os emedebistas. Ainda assim, a legenda não vai atrapalhar sua relatoria. Por outro lado, o partido não deve endossar a defesa da privatização. A tendência na sigla é que a maioria dos emedebistas se coloquem contra o projeto. A definição do relator está agora nas mãos do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Otto Alencar (PSD-BA).

Há alguns dias, ele disse ao Valor que mesmo senadores favoráveis à privatização dos Correios não estavam querendo assumir a relatoria do projeto. Segundo Otto, os únicos nomes interessados em conduzir as discussões, até então, eram o próprios líderes do governo, Eduardo Gomes (MDB-TO) e Fernando Bezerra (MDB-PE), o que ele não aceitava. “Não aceito indicação do governo, não aceito Fernando Bezerra [como relator], não aceito Eduardo Gomes. Tem que ser um nome indepedenente [ao governo] e ninguém quer. Eu vou fazer o quê? Quem está a favor também não quer. Precisa achar um [relator]”, explicou.

Um dos motivos para essa resistência dos senadores é o fato de os Correios estarem dando lucro. Em 2020, por exemplo, a estatal registrou lucro líquido de R$ 1,53 bilhão. O resultado representa um forte salto frente ao ganho de R$ 102,1 milhões obtido em 2019. Além disso, os Correios têm hoje aproximadamente 100 mil funcionários, o que preocupa os senadores já que o país está com um alto índice de desemprego.

Otto disse também que a bancada do PSD se reuniu, nos últimos dias, para discutir o assunto e muitos senadores manifestaram contrariedade com o texto. O próprio presidente da CAE já disse, recentemente, que este “não é o melhor momento para uma privatização”. Pelo calendário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a aprovação do projeto pelo Congresso precisaria ocorrer neste mês de agosto para que o leilão fosse feito pelo governo em abril. Isso porque o projeto autoriza a venda de 100% dos Correios em leilão.

Inicialmente, o governo cogitava lançar ações em bolsa e ficar com parte do capital da empresa, modelo que repetiria Petrobras e Eletrobras, mas desistiu após avaliar que isso diminuiria o interesse privado na estatal. Além do Congresso, as regras da operação também precisam passar pelo aval do Tribunal de Contas da União (TCU) – o governo espera submeter o modelo de venda em dezembro para avaliação.

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