À CPI, empresário admite conhecer integrante da família Bolsonaro

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

23/09/2021

Após se recusar a responder em um primeiro momento, o diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Trento, recuou e admitiu conhecer membro da família do presidente Jair Bolsonaro. Ele ponderou, porém, que não tem relação com nenhum deles.

Inicialmente, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) questionou a relação de Trento com Bolsonaro e a família do presidente. O depoente permaneceu em silêncio e não respondeu.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse estranhar a resposta por esse tipo de posição não ter como incriminar ninguém. “Estranho, se isso não incrimina o cidadão, incrimina o presidente e a família.”

Após a observação do petista, Renan insistiu na pergunta e Trento respondeu não ter relação com a família Bolsonaro. “Com ninguém, com nenhum membro”?, questionou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Não tenho relação com nenhum membro da família, apenas os conheço, alguns publicamente, outros em eventos.”

A CPI levantou a hipótese de mandar prender Trento, em razão do seu silêncio sobre questões objetivas, que não poderiam causar a autoincriminação. A sessão foi suspensa para que o depoente se reúna com seus advogados.

A sugestão foi dada pelo senador Jorginho Mello (PL-SC) — que é da base governista — depois que Trento se negou, por exemplo, a responder o endereço da sua empresa.

Ricardo Barros

O diretor da Precisa Medicamentos afirmou nunca ter encontrado o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O executivo da intermediária negou que tenha tratado com o parlamentar do Centrão de eventuais medidas que pudessem acelerar a aprovação da vacina Covaxin pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Durante tramitação da medida provisória (MP) que tratava da compra de imunizantes que já tivessem sido aprovados por agências regulatórias de outros países, Barros emplacou uma emenda para que fossem contempladas as vacinas aprovadas pela Central Drugs Standard Control Organization, agência indiana.

Indagado se Barros adivinhou que a Precisa Medicamentos intermediava a venda da vacina Covaxin para o Ministério da Saúde, Trento disse que ninguém da empresa tratou do assunto com o líder do governo na Câmara.

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