7 de Setembro: Risco de golpe não é mais ‘delírio paranoico’, diz Gustavo Franco

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06/09/2021

Uma chance de um golpe no Brasil não é mais tomada como um “delírio paranoico”, avalia Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central (BC), em carta mensal da gestora Rio Bravo. Para Franco, a “escalada de iniciativas hostis” entre o presidente Jair Bolsonaro e, especialmente, o Supremo Tribunal Federal, pode ter um desfecho “trágico, se não houver recuos coordenados”.

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“Tudo decorre de uma escalada de iniciativas hostis, parecendo uma ‘corrida armamentista’”, escreve Franco, sócio da gestora, no documento. “Não é mais, infelizmente, um jogo de pôquer de sucessivas bravatas, o assunto ficou muito sério, talvez incontrolável.”

De acordo com o economista, tratou-se de “uma irresponsabilidade absoluta escalar as tensões até onde estamos”. “A economia sofre, os mercados apanham e a ansiedade é tão generalizada quanto desnecessária”, pontua.

Para Franco, não há dúvida de que “a atmosfera política pesada prejudica a economia”. Segundo o ex-BC, não é claro “se isso estava nos cálculos do presidente, se é que existe esse cálculo”.

Sobre o dia 7 de Setembro, data para que estão programadas manifestações convocadas por Bolsonaro, ele nota que há “certa apreensão” a respeito da presença em massa de policiais armados entre os manifestantes, e não tanto entre os que vão reprimir os excessos dos quem protestam.

“Fala-se até de golpe, o que, infelizmente, já não é mais tomado como delírio paranoico”, escreve Franco. Nesse sentido, os resultados dos eventos de 7 de setembro e de 12 de setembro, quando ocorrem manifestações contra o governo, serão importantes para dar o tom do restante do mandato de Bolsonaro, diz ele.

“Parece ter se antecipado a já esperada paralisação das agendas econômicas reformadoras em consequência das divisões decorrentes, em última instância, da eleição presidencial que se aproxima”, escreve Franco.

Segundo ele, “não há clima político para nenhuma reforma de espécie alguma, quando paira uma dúvida sobre a democracia, e a agenda está pesada”, em referência ao recrudescimento da pandemia, com a chegada da variante delta, à aceleração da inflação, à iminência de uma crise hídrica e ao risco fiscal.

Para Franco, as iniciativas fiscais do ministro da Economia, Paulo Guedes, têm sido frustrantes. “A PEC dos Precatórios e a Reforma do Imposto de Renda repercutiram muito mal e poderão prosperar apenas em versões mais diluídas e ainda piores que as ideias originais. O governo perdeu a iniciativa no campo fiscal, e tem diante de si o desafio de moderar as tentações eleitoreiras que começam a ocupar os gabinetes de Brasília.”

Na análise de Franco, Guedes parece tratar dos temas da inflação, crise hídrica e variante delta como se estivessem fora de sua alçada, em um contexto no qual “as pressões inflacionárias vão se acumulando, e assustam sobretudo no contexto de alto risco fiscal”.

Enquanto isso, os ventos dos mercados internacionais são favoráveis, o que se confirmou com a fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, no encontro de banqueiros centrais, em Jackson Hole. “O problema é local, e político”, sentencia o sócio da Rio Bravo.

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