28/07/2021 às 10h24min - Atualizada em 28/07/2021 às 10h24min

Saldo de contas externas e investimento em junho fica abaixo do esperado pelo BC

O Brasil registrou um superávit em suas transações correntes de US$ 2,791 bilhões em junho, conforme divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central (BC). O resultado ficou bem abaixo da previsão da autoridade monetária, que estimava um superávit de US$ 6,5 bilhões nas contas externas do mês.

Em junho de 2020, o saldo da conta corrente foi positivo em US$ 3,056 bilhões.

Segundo o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha, o saldo foi menor do que o esperado por causa de importações “no âmbito do Repetro” que não estavam nos cálculos. O Repetro é uma espécie de regime aduaneiro especial que facilita a importação de bens destinados à exploração de petróleo.

Segundo Rocha, as importações do Repetro respondem por US$ 2,5 bilhões da diferença de US$ 3,7 bilhões entre os resultados projetado e observado.

Já no acumulado de 12 meses a diferença entre o que o país gastou e o que recebeu nas transações internacionais relativas a comércio, rendas e transferências unilaterais alcançou um saldo negativo de US$ 19,637 bilhões, o equivalente a 1,27% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pela autoridade monetária. Em maio, o déficit foi equivalente também a 1,27% do PIB.

Para 2021, o BC calcula superávit em conta corrente de US$ 3 bilhões, conforme divulgado pela autoridade monetária no último Relatório Trimestral de Inflação. A estimativa para o mês de julho é de superávit de US$ 1,3 bilhão em conta corrente e de entrada líquida de US$ 4,7 bilhões em Investimentos Diretos no País (IDP).

Investimento direto

O ingresso líquido do IDP somou US$ 174 milhões em junho, também muito abaixo da estimativa da autoridade monetária para o mês, que era de entrada líquida de US$ 2,5 bilhões. Em junho do ano passado, por sua vez, o IDP tinha somado US$ 5,165 bilhões.

Dois fatores explicam o ingresso menor do que o esperado, segundo Rocha. A “conta de lucros reinvestidos foi negativa pontualmente”, afirmou ele. Além disso, as operações intercompanhia também ficaram em patamar negativo, “mostrando que as amortizações foram maiores que os novos desembolsos”.

Fazem parte do IDP os recursos destinados à participação no capital e os empréstimos diretos concedidos por matrizes de empresas multinacionais as suas filiais no país e vice-versa. O retorno de investimento brasileiro no exterior também integra essas estatísticas.

Nos 12 meses encerrados em junho, o IDP somou US$ 46,629 bilhões, ou 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 3,38% do PIB vistos até maio. O montante é mais do que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente de 1,27% do produto nos 12 meses.

O BC calcula IDP de US$ 60 bilhões para 2021, conforme divulgado pela autoridade monetária no Relatório Trimestral de Inflação.

Revisão de resultados do ano

O BC revisou para cima em US$ 3,6 bilhões o déficit em conta corrente de janeiro a maio deste ano. Com isso, o saldo negativo alcançou US$ 9,8 bilhões nos cinco primeiros meses de 2021.

O principal fator que impulsionou o resultado negativo foi a renda de investimento direto, que caiu US$ 3 bilhões, aumentando o déficit no mesmo montante. Em sentido oposto, os lucros reinvestidos no Brasil aumentaram US$ 4 bilhões, diminuindo o déficit no mesmo montante. Mesmo assim, uma combinação de outros fatores levou à ampliação do resultado negativo.

Já o Investimento Direto no País cresceu US$ 3 bilhões nos cinco primeiros meses de 2021, alcançando US$ 25,5 bilhões. Nesse caso, a participação no capital aumentou US$ 4 bilhões.

Revisão do saldo de 2020

O Banco Central também reavaliou o déficit em transações correntes do ano passado. Com a revisão, o saldo negativo cresceu US$ 1,8 bilhão, alcançando US$ 25,9 bilhões, passando do equivalente de 1,7% do PIB para 1,8%. A revisão é ordinária e realizada duas vezes por ano.

O déficit na conta de renda primária, por exemplo, passou de US$ 38,2 bilhões para US$ 39,7 bilhões. Já a receita de lucros de investimento direto alcançou US$ 13,1 bilhões, contra US$ 3,4 bilhões estimados anteriormente.

Por sua vez, as despesas de lucros de lucros de investimento direto alcançaram US$ 28,8 bilhões, contra os US$ 17,9 bilhões anteriores.

O déficit da conta financeira do Brasil no ano passado passou de US$ 21,8 bilhões para US$ 18,6 bilhões após a revisão. Nessa conta, o ingresso líquido de investimentos diretos saltou de US$ 34,2 bilhões para US$ 44,7 bilhões, “fundamentalmente em função do maior volume de lucros reinvestidos”.

Já os retornos líquidos de Investimentos Diretos no Exterior (IDE), como são chamados os desinvestimentos em outros países, caíram de US$ 16,4 bilhões para US$ 3,5 bilhões.

Com a revisão, o superávit da conta capital alcançou US$ 4,1 bilhões. A revisão está ligada a “transferências de ativos no exterior de não residentes a residentes no país, ampliando a posição de ativos externos e a PII (posição de investimento internacional)”. “Essas transações econômicas não cursaram pelo mercado de câmbio doméstico e foram incluídas no balanço de pagamentos”, disse o BC.

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