28/07/2021 às 10h26min - Atualizada em 28/07/2021 às 10h27min

Onyx deve ter Bianco como número 2, mas quer “deixar sua marca” em nova pasta

O secretário-geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, que assumirá o novo Ministério do Trabalho e Previdência, decidiu nomear como secretário-executivo o atual responsável pela área no Ministério da Economia, o secretário especial Bruno Bianco. Fontes a par das negociações para formação da nova pasta confirmaram ao Valor que a decisão levou em conta a necessidade de dar continuidade à linha de gestão defendida pelo ministro Paulo Guedes. Isso não significa, porém, que Onyx não buscará deixar sua marca.

  • MP com nova pasta não tem data para conclusão

As conversas sobre a nova estrutura e acerca das prioridades para o curto prazo avançaram desde a semana passada, quando o presidente Jair Bolsonaro comunicou que faria mudanças na equipe ministerial para acomodar o senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do Centrão, na Casa Civil.

Enquanto o novo titular não toma posse formalmente, as equipes de Onyx e Guedes tentam vencer os últimos detalhes sobre um programa que foi desenhado ainda quando o parlamentar gaúcho era titular do Ministério da Cidadania. Trata-se do Serviço Civil Voluntário, que incentivará a contratação temporária de jovens.

Uma prévia da medida provisória (MP) sobre o tema foi apresentada a Guedes e teria sido bem recebida pelo ministro. O programa é inspirado em modelos adotados nos Estados Unidos, em que os empresários podem pagar por hora trabalhada ou por diária. Haverá um limite para a jornada, que ainda está em discussão.

A proposta também precisa ser alinhada a projetos da equipe de Guedes que já estão em andamento, como os programas Bônus de Inclusão Produtiva (BIP) e Bônus de Incentivo à Qualificação (BIQ), que preveem um bônus pago pelo governo para jovens serem treinados por empresas.

A recriação do Ministério do Trabalho e Previdência, além de abrir espaço para o Centrão na Esplanada, foi uma forma encontrada por Bolsonaro de assegurar vitrine a Onyx, parceiro estratégico na corrida eleitoral. O deputado pretende concorrer ao governo do Rio Grande do Sul e quer utilizar a geração de empregos a seu favor. Na Secretaria-Geral, embora pudesse despachar ao lado do presidente, o trabalho estava mais limitado à gestão burocrática do Planalto. Com a articulação política entregue agora de forma definitiva ao Centrão, Onyx também teria dificuldade em contribuir na relação com os parlamentares.

Além da coordenação da área de emprego, o ministro terá mais poder político com a gestão de recursos bilionários do FAT, do FGTS e do INSS, entre outros.

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