Com previsão de mais chuva no Sul, calor crescente no interior e risco de irregularidade hídrica em importantes áreas produtoras, o inverno de 2026 exigirá planejamento e monitoramento constante das condições climáticas para reduzir impactos nas lavouras e aproveitar oportunidades na próxima safra
O inverno de 2026 começou oficialmente às 5h24 de domingo (21) e chega ao Brasil sob a influência crescente de um El Niño que promete ser um dos principais fatores climáticos para o agronegócio nos próximos meses. A estação, que se estende até 22 de setembro, deve apresentar um comportamento diferente entre as regiões produtoras, com mais chuva no Sul, parte do Sudeste e Mato Grosso do Sul, enquanto áreas do Centro-Norte do país já começam a acender o sinal de alerta para a irregularidade das precipitações.
Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, o fenômeno ainda está em fase inicial, mas os modelos climáticos indicam fortalecimento gradual ao longo do segundo semestre. “Os modelos mostram uma grande chance de ele ganhar força até o final do ano, podendo atingir intensidade muito forte”, explicou durante coletiva de imprensa promovida pela Nottus. Dados da National Oceanic and Atmospheric Administration indicam que o El Niño deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro semestre de 2027.
Para o produtor rural, a principal mensagem é que o inverno não será marcado apenas pelo frio. A tendência é de temperaturas mais elevadas na segunda metade da estação, com períodos de calor intercalados por frentes frias e episódios de chuva. “Os eventos frios vão acontecer, mas serão mais curtos”, destacou o meteorologista.
Uma das principais preocupações está na frequência das frentes frias avançando até São Paulo, Mato Grosso do Sul e parte de Minas Gerais. Embora as precipitações ajudem na reposição de umidade do solo, também podem atrapalhar atividades de campo. “Vai haver momentos de interrupção das operações. Isso pode acontecer na colheita do café, da cana e também do milho”, alertou Alexandre.
No Sul do país, o inverno deve ser mais favorável para culturas como trigo e cevada, com chuva acima da média e condições adequadas de umidade. Ainda assim, o excesso de chuva pode gerar dificuldades para colheita e logística. “A agricultura de inverno precisa de frio e precisa de chuva”, afirmou.
No Centro-Oeste, o olhar já se volta para a safra 2026/27, com possibilidade de antecipação do plantio devido ao retorno mais cedo das chuvas. “Possivelmente teremos umidade suficiente para iniciar o plantio logo no começo da janela”, explicou o meteorologista.
O principal risco do El Niño para o ciclo da soja não está no início, mas no desenvolvimento da safra. “O problema pode aparecer mais à frente, com veranicos durante a segunda safra”, alertou.
Na região do Matopiba, a preocupação é maior. Historicamente, anos de El Niño reduzem as chuvas e elevam o risco de seca. “Existe um grande risco de déficit hídrico”, disse Alexandre.
Outro ponto de atenção são as ondas de calor mais frequentes a partir de agosto, aumentando o risco de temporais quando associadas a frentes frias. “Quando você tem vários dias de calor muito forte e uma frente fria chega, o contraste favorece tempestades”, explicou.
Mesmo com riscos, o cenário exige principalmente planejamento e acompanhamento climático. “Este será um ano em que acompanhar o clima de perto fará toda a diferença”, concluiu o meteorologista.
Inverno começa com novo desafio para o campo: a força do El Niño
Com previsão de mais chuva no Sul, calor crescente no interior e risco de irregularidade hídrica em importantes áreas produtoras, o inverno de 2026 exigirá planejamento e monitoramento constante das condições climáticas para reduzir impactos nas lavouras e aproveitar oportunidades na próxima safra
O inverno de 2026 começa oficialmente às 5h24 deste domingo (21) e chega ao Brasil sob a influência crescente de um El Niño que promete ser um dos principais fatores climáticos para o agronegócio nos próximos meses. A estação, que se estende até 22 de setembro, deve apresentar um comportamento diferente entre as regiões produtoras, com mais chuva no Sul, parte do Sudeste e Mato Grosso do Sul, enquanto áreas do Centro-Norte do país já começam a acender o sinal de alerta para a irregularidade das precipitações.
Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, o fenômeno ainda está em fase inicial, mas os modelos climáticos indicam fortalecimento gradual ao longo do segundo semestre. “Os modelos mostram uma grande chance de ele ganhar força até o final do ano, podendo atingir intensidade muito forte”, explicou durante coletiva de imprensa promovida pela Nottus. Dados da National Oceanic and Atmospheric Administration indicam que o El Niño deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro semestre de 2027.
Para o produtor rural, a principal mensagem é que o inverno não será marcado apenas pelo frio. A tendência é de temperaturas mais elevadas na segunda metade da estação, com períodos de calor intercalados por frentes frias e episódios de chuva. “Os eventos frios vão acontecer, mas serão mais curtos”, destacou o meteorologista.
Uma das principais preocupações está na frequência das frentes frias avançando até São Paulo, Mato Grosso do Sul e parte de Minas Gerais. Embora as precipitações ajudem na reposição de umidade do solo, também podem atrapalhar atividades de campo. “Vai haver momentos de interrupção das operações. Isso pode acontecer na colheita do café, da cana e também do milho”, alertou Alexandre.
No Sul do país, o inverno deve ser mais favorável para culturas como trigo e cevada, com chuva acima da média e condições adequadas de umidade. Ainda assim, o excesso de chuva pode gerar dificuldades para colheita e logística. “A agricultura de inverno precisa de frio e precisa de chuva”, afirmou.
No Centro-Oeste, o olhar já se volta para a safra 2026/27, com possibilidade de antecipação do plantio devido ao retorno mais cedo das chuvas. “Possivelmente teremos umidade suficiente para iniciar o plantio logo no começo da janela”, explicou o meteorologista.
O principal risco do El Niño para o ciclo da soja não está no início, mas no desenvolvimento da safra. “O problema pode aparecer mais à frente, com veranicos durante a segunda safra”, alertou.
Na região do Matopiba, a preocupação é maior. Historicamente, anos de El Niño reduzem as chuvas e elevam o risco de seca. “Existe um grande risco de déficit hídrico”, disse Alexandre.
Outro ponto de atenção são as ondas de calor mais frequentes a partir de agosto, aumentando o risco de temporais quando associadas a frentes frias. “Quando você tem vários dias de calor muito forte e uma frente fria chega, o contraste favorece tempestades”, explicou.
Mesmo com riscos, o cenário exige principalmente planejamento e acompanhamento climático. “Este será um ano em que acompanhar o clima de perto fará toda a diferença”, concluiu o meteorologista.