Miguel Daoud alerta para risco de perda de credibilidade após veto europeu

Economista afirma que rastreabilidade é desafio central para o agronegócio brasileiro e comenta tarifas dos Estados Unidos e Plano Safra

Por Da Redação, com Canal Rural
2 Min

O economista e analista político Miguel Daoud afirmou que a decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal representa um alerta para o agronegócio nacional, principalmente pelo risco de perda de credibilidade perante o mercado internacional.

Durante entrevista ao programa Radar Rural, Daoud destacou que o principal ponto levantado pelo bloco europeu não é a qualidade da carne brasileira, mas sim a necessidade de comprovação da origem e da rastreabilidade dos produtos. Segundo ele, países como Argentina, Paraguai e Uruguai conseguiram atender às exigências estabelecidas pelos europeus.

“O que eles estão pedindo é rastreabilidade. Não estão questionando a qualidade da carne brasileira nem a capacidade de produção do país”, afirmou.

Na avaliação do economista, o impacto comercial direto tende a ser limitado, mas a credibilidade pode ser muito mais difícil de recuperar caso o problema persista. “Mercado você recupera. Credibilidade é muito mais difícil”, declarou.

Daoud também ressaltou que a União Europeia funciona como uma vitrine para outros compradores internacionais e observou que mercados como o Reino Unido e a China vêm ampliando suas exigências em relação ao controle da origem dos alimentos importados.

Ao comentar a nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o analista avaliou que as medidas seguem a estratégia política baseada no fortalecimento da indústria norte-americana, mas alertou que parte do custo tende a ser repassada ao consumidor. “Quando ele taxa produtos importados, quem paga a conta é o consumidor americano”, afirmou.

Sobre o próximo Plano Safra, Daoud disse que a principal preocupação dos produtores não está no volume de recursos disponibilizados, mas nas condições de acesso ao crédito, marcadas por juros elevados e aumento da inadimplência. Para ele, o agronegócio brasileiro continua sendo um dos principais motores da economia nacional e necessita de políticas que garantam competitividade e segurança para seguir produzindo.

 

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