Oceanos mais quentes elevam riscos para pesca e áreas costeiras, alerta ONU

Relatório aponta aceleração da alta do nível do mar, recordes de degelo e redução dos estoques pesqueiros sustentáveis

Por Da Redação, com Canal Rural.
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Oceanos mais quentes elevam riscos para pesca e áreas costeiras, alerta ONU
Foto: reprodução

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um novo relatório apontando o agravamento de diversos indicadores relacionados aos oceanos, entre eles o aquecimento das águas, a elevação do nível do mar, o avanço do degelo polar e o aumento da pressão sobre a pesca e a biodiversidade marinha. O estudo reúne contribuições de mais de 550 cientistas e especialistas de 86 países e analisou principalmente dados coletados entre 2018 e 2023.

Segundo a Avaliação Mundial dos Oceanos, a taxa de elevação do nível médio global do mar chegou a 4,3 milímetros por ano no período entre 2013 e 2023. No relatório anterior, que utilizava informações entre 1993 e 2018, esse ritmo era de aproximadamente 3,2 milímetros anuais. O documento também registra uma aceleração na perda de gelo polar a partir de 2016, com recordes sucessivos de degelo observados em 2022, 2023, 2024 e 2025.

O levantamento aponta ainda que eventos extremos no ambiente marinho vêm se tornando mais frequentes. Entre os principais efeitos estão o deslocamento de espécies para águas mais frias, o aumento das ondas de calor nos oceanos e a ampliação dos impactos provocados pela poluição plástica. O número de espécies afetadas pelo plástico passou de cerca de 1,4 mil na edição anterior para mais de 4 mil no estudo atual.

Na atividade pesqueira, a ONU verificou redução da parcela de estoques biologicamente sustentáveis, que caiu de 64,6% em 2019 para 62,3% em 2021, indicando maior pressão sobre a produção de pescado e sobre a disponibilidade de alimentos de origem marinha.

Para o Brasil, o professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos autores do relatório, destacou que o cenário aumenta a vulnerabilidade das áreas costeiras, amplia os riscos para cidades litorâneas, pressiona a atividade pesqueira e afeta os recifes de coral, além de estar associado a eventos extremos registrados no Atlântico tropical.

Embora o documento não apresente projeções específicas para o agronegócio brasileiro, a ONU ressalta que o monitoramento dos oceanos se tornou um instrumento cada vez mais importante para o planejamento climático, a gestão das regiões costeiras e a atividade pesqueira, sendo necessários estudos complementares para avaliar impactos regionais sobre as cadeias produtivas.

 


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