Faesp critica veto europeu a produtos brasileiros e cobra reação do governo
Entidade classifica medida da União Europeia como discriminatória e pede união dos países do Mercosul
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou nota de repúdio à decisão da União Europeia de suspender, a partir de setembro, as importações de carnes, mel e outros produtos de origem animal do Brasil. Para a entidade, a medida representa um tratamento discriminatório ao agronegócio brasileiro e desrespeita mais de duas décadas de negociações entre o bloco europeu e o Mercosul. O posicionamento foi assinado pelo presidente da Faesp, Tirso Meirelles, que afirmou que a União Europeia alterou as regras previamente negociadas e passou a adotar exigências consideradas arbitrárias e sem respaldo técnico. Segundo ele, a decisão cria barreiras artificiais ao comércio internacional e prejudica produtores e exportadores brasileiros. A entidade argumenta que concorrentes do Brasil, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, utilizam procedimentos semelhantes aos adotados pela pecuária nacional, mas não foram alvo das mesmas restrições. Para a Faesp, essa diferença de tratamento reforça a percepção de protecionismo comercial por parte dos europeus. A nota também destaca que a sanidade animal brasileira é reconhecida internacionalmente e lembra que o país nunca registrou casos de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca. A entidade defende uma postura mais firme da diplomacia brasileira diante da decisão europeia. Além disso, a Faesp considera fundamental que Argentina, Uruguai e demais integrantes do Mercosul atuem de forma conjunta para fortalecer a posição do bloco nas negociações internacionais e responder às restrições impostas pela União Europeia.