China reconhece Brasil como país livre de febre aftosa
Decisão reforça status sanitário brasileiro e ocorre em meio a negociações comerciais
PorDa Redação, com Folha de S. Paulo•
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Foto: Divulgação
A China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa nesta terça-feira (2), revogando restrições que ainda limitavam parte das exportações de carne bovina para o mercado asiático. O anúncio reforça o status sanitário do país e abre uma nova fase nas relações comerciais entre os dois parceiros.
O reconhecimento vem um ano após o pedido formal do Ministério da Agricultura e Pecuária, que buscava a validação do status de país livre da doença sem vacinação. Na prática, isso confirma que o Brasil conseguiu eliminar a circulação do vírus de forma eficaz e consolidar um sistema de vigilância sanitária capaz de dispensar a imunização do rebanho.
Esse status já havia sido reconhecido anteriormente pela Organização Mundial de Saúde Animal, o que deu respaldo internacional ao modelo sanitário brasileiro. Em 2024, uma missão técnica chinesa esteve no país para auditoria do sistema, e, em 2025, foram enviados relatórios detalhados com dados de vigilância e controle da doença.
No campo comercial, o movimento tem peso estratégico. O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina para a China, mas o setor vinha acompanhando com preocupação a imposição, no fim do ano passado, de uma salvaguarda que limita volumes de importação por país entre 2026 e 2028. Caso as cotas sejam ultrapassadas, passa a valer uma taxação de 55%.
Segundo estimativas da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o impacto pode ser relevante: a cota definida para o Brasil corresponde a cerca de 65% do total exportado pelos frigoríficos em 2025, com previsão de redução global de aproximadamente 10% nas vendas externas de carne bovina.
O anúncio chinês também ocorreu às vésperas da visita do chanceler brasileiro Mauro Vieira a Pequim, onde ele participa da 5ª edição do Diálogo Estratégico Global Brasil-China. A movimentação diplomática é vista como parte do esforço para equilibrar interesses comerciais e ampliar previsibilidade no comércio bilateral.
Além da carne, outro tema central nas agendas entre os dois países é o mercado de fertilizantes, com o Brasil buscando ampliar suas compras desses insumos, fundamentais para a agricultura nacional, tendo a China como principal fornecedora em 2025. A pauta também inclui alternativas de diversificação, com viagens recentes do chanceler a países da Ásia Central.
Esse movimento ocorre em meio à preocupação do setor agrícola com o abastecimento da safra de verão, especialmente diante das incertezas geopolíticas recentes, incluindo impactos indiretos da guerra no Irã sobre cadeias globais de insumos.