Pesquisa quer traduzir sinais da natureza para medir estresse ambiental
Projeto em Recife usará inteligência artificial para monitorar espécies
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Pesquisadores de Pernambuco estão desenvolvendo uma tecnologia que pretende traduzir sinais emitidos por animais e plantas para avaliar o nível de estresse ambiental em áreas urbanas. A iniciativa utilizará inteligência artificial para interpretar informações biológicas e criar um indicador inédito de qualidade ambiental. O projeto, batizado de Apeiron, será conduzido pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR) em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A proposta é monitorar organismos como morcegos, ostras, abelhas e aroeiras, comparando seus comportamentos em áreas urbanas e regiões preservadas. A pesquisa pretende medir respostas metabólicas das espécies, como padrões de voo, transpiração, emissão de sons e abertura de conchas. Esses dados serão processados para criar o Índice de Resiliência Metabólica (IRM), numa escala de zero a cem. Segundo o biólogo Artur Maia, a ideia é transformar informações biológicas em ferramentas para o planejamento urbano e a gestão ambiental. A expectativa é que os primeiros testes sejam realizados até novembro deste ano em Recife. A inspiração do projeto vem de observadores tradicionais da natureza, como os chamados profetas da chuva do sertão nordestino, que há gerações interpretam sinais ambientais para prever mudanças climáticas.