Preço do leite sobe no início de 2026 com oferta menor no campo

Disputa entre laticínios, custos mais altos e redução da produção puxam valorização paga aos produtores

Por Da Redação, com Notícias Agrícolas
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O mercado de leite começou 2026 com alta nos preços pagos aos produtores rurais. Dados do Cepea mostram que o leite cru teve valorização acumulada de 17,6% no primeiro trimestre do ano. Em março, o preço médio pago ao pecuarista subiu 10,5% em relação a fevereiro, chegando a R$ 2,3924 por litro na chamada Média Brasil. Mesmo com a recuperação dos preços neste ano, os valores ainda seguem abaixo dos registrados em 2025. Na comparação com março do ano passado, o leite apresenta queda real de 18,7%, considerando a inflação do período. No acumulado do trimestre, a média nacional ficou em R$ 2,2038 por litro. A alta recente é consequência da redução da oferta no campo. O índice de captação de leite caiu 3,9% entre fevereiro e março e acumula retração de 11,1% no trimestre. O clima, os altos custos com alimentação animal e as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores no ano passado reduziram o ritmo de produção em várias regiões do país. Os custos da atividade continuam pressionando o produtor. Em abril, o custo operacional efetivo subiu 1,1% na média nacional. O diesel ficou 5,42% mais caro e elevou despesas com frete e máquinas. Os suplementos minerais tiveram alta de 7,6%, enquanto os concentrados usados na ração também subiram após valorização do milho e da soja. No atacado, os derivados lácteos também registraram alta em abril. O leite UHT subiu 20,17% e fechou o mês a R$ 5,03 por litro. A muçarela teve valorização de 12,65%, alcançando R$ 34,86 por quilo. Já o leite em pó avançou 1,52%, chegando a R$ 30,47 por quilo. Apesar disso, o consumo começou a perder força em maio. Com preços mais altos nos supermercados, consumidores passaram a reduzir compras, o que levou o leite UHT a cair 3,64% na primeira metade do mês. No comércio exterior, o Brasil também registrou aumento das importações de lácteos. Mesmo com queda em relação a março, as compras externas continuam 34,1% acima das registradas no ano passado. O leite em pó lidera as importações brasileiras.