“O monitoramento contínuo muda essa lógica: ao acompanhar variáveis como ofegação, tempo de ruminação, padrão de atividade e comportamento alimentar em tempo real, é possível identificar situações de desconforto antes que elas impactem a produção ou exijam intervenção veterinária emergencial. O produtor passa a agir de forma preventiva, não reativa. Isso tem um efeito duplo: melhora o bem-estar do animal e melhora o resultado da operação”, explica o especialista.
“A inteligência artificial com redes neurais muda isso. Ela aprende o padrão individual de cada vaca ao longo do tempo e detecta desvios em relação ao próprio histórico do animal, não em relação a uma média geral. Individualizar em escala é exatamente o que a IA torna possível, e é o que separa o monitoramento moderno do que existia até poucos anos atrás”, detalha.
“Temos uma base acumulada que já ultrapassa 900 mil animais em banco de dados, um ativo que não existe em nenhum outro lugar do mundo e que segue refinando a capacidade preditiva dos modelos de IA. Quanto mais dados, mais precisa a inteligência. E quanto mais precisa a inteligência, mais eficiente e sustentável é a operação”, relata Martins.
“Isso exige que as soluções sejam desenvolvidas para a realidade do produtor, não apenas tecnicamente robustas, mas simples de operar, com suporte próximo e com resultados que apareçam no caixa. Em mercados onde o investimento em inovação ainda é mais seletivo, como parte da América Latina, esse ponto é ainda mais crítico”, comenta.