El Niño pode começar nos próximos meses e preocupa produtores rurais
ômeno climático pode ser um dos mais intensos da história e deve provocar impactos severos na agricultura brasileira
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Meteorologistas e centros internacionais de monitoramento climático passaram a reforçar os alertas para a formação de um novo episódio de El Niño nos próximos meses. A preocupação cresce porque o fenômeno pode atingir forte intensidade, trazendo consequências significativas para a agricultura, pecuária e abastecimento hídrico em diversas regiões do Brasil.
Os modelos climáticos indicam aumento consistente da temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial, condição essencial para a consolidação do El Niño. Especialistas alertam que o fenômeno pode ganhar força ainda em 2026 e provocar alterações importantes no regime de chuvas e temperaturas em praticamente toda a América do Sul.
No Sul do Brasil, o El Niño costuma favorecer chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes, excesso de umidade e prejuízos para culturas como trigo, arroz e parte das lavouras de soja. Já nas regiões Norte e Nordeste, o padrão normalmente é oposto, com redução das precipitações e aumento do risco de seca prolongada.
No Centro-Oeste, produtores acompanham com apreensão os possíveis reflexos sobre a próxima safra de grãos. Alterações na distribuição das chuvas podem comprometer o calendário agrícola, afetando principalmente soja, milho safrinha e algodão. O fenômeno também pode elevar os custos de produção, diante da necessidade maior de manejo climático e irrigação.
Meteorologistas destacam que um El Niño forte tende ainda a aumentar as temperaturas médias globais, ampliando episódios de ondas de calor, queimadas e eventos climáticos extremos. A preocupação é ainda maior porque várias regiões do planeta já vêm enfrentando anomalias climáticas sucessivas nos últimos anos.
No setor pecuário, o impacto também pode ser significativo. Pastagens podem sofrer deterioração em áreas mais secas, enquanto excesso de chuvas em outras regiões prejudica manejo, logística e qualidade das estradas rurais. O setor elétrico igualmente acompanha o cenário devido aos reflexos sobre reservatórios e geração hidrelétrica.