Criadores de cavalos do Brasil contam com uma ferramenta inovadora de avaliação nutricional baseada na análise de fezes para auxiliar na formulação da dieta e na tomada de decisões. A metodologia se baseia em uma análise prática e complementar às avaliações nutricionais tradicionais, focada em avaliar o aproveitamento da dieta, especialmente da fração fibrosa
“O analisador de fezes proporciona uma visão prática e objetiva para criadores e treinadores ajustarem a dieta de seus cavalos, resultando em economia de custos e melhoria no bem-estar dos animais”, destaca o zootecnista, especialista em gestão de equinocultura, mestre em nutrição de equinos e consultor de vendas da Guabi, Hítallo Magalhães.
Ele relata que a técnica foi adaptada de estudos com ruminantes e equinos para a realidade brasileira e validada em um extenso trabalho de campo. Na tese defendida por Magalhães foram avaliados aproximadamente 600 animais da raça Mangalarga Marchador pertencentes a mais de 50 propriedades de diversas regiões do Brasil.
Conforme explica o zootecnista, a ferramenta consiste na realização do peneiramento fecal utilizando um conjunto de três peneiras com diferentes granulometrias, no qual as fezes são lavadas e separadas conforme o tamanho das partículas. A partir disso, quantifica-se a porcentagem de material retido em cada fração, permitindo avaliar o grau de fragmentação dos alimentos e, de forma indireta, inferir sobre o aproveitamento da dieta pelo equino.
“Com isso, torna-se possível detectar problemas, como baixa qualidade de volumosos, falhas de mastigação ou inadequações no manejo alimentar, promovendo ajustes mais precisos na dieta. Esses ajustes tendem a reduzir perdas nutricionais, melhorar o aproveitamento energético, favorecer a saúde digestiva e contribuir para a manutenção adequada do escore de condição corporal e do desempenho dos animais”, detalha.
Para o especialista, a principal contribuição é a transição de um manejo empírico para um manejo baseado em evidência objetiva, uma vez que, através dessa ferramenta é possível se ter mais informações para agregar a outras ferramentas de avaliação nutricional e ser mais assertivo nas tomadas de decisões do manejo nutricional e contribuir para a saúde e o bem-estar animal.
Entretanto, o zootecnista alerta para alguns cuidados referentes à implementação dessa nova metodologia. “Atualmente, os principais desafios para a adoção do peneiramento fecal na equinocultura estão relacionados, principalmente, ao baixo nível de conhecimento sobre a ferramenta, já que muitos criadores ainda não sabem da sua existência por se tratar de uma metodologia relativamente recente e ainda pouco difundida no campo”, aponta.
Por fim, Magalhães salienta que o analisador de fezes é uma ferramenta complementar a outras avaliações nutricionais, como escore de condição corporal, avaliação do consumo alimentar e formulação de dietas, permitindo uma abordagem mais completa da nutrição dos equinos. “Sua utilização prática em haras, centros de treinamento e propriedades equinas contribui para melhorar a eficiência digestiva, saúde intestinal e desempenho dos animais”, conclui o zootecnista.