Exportações de café caem 8% em março e somam 3,04 milhões de sacas

Redução no volume está ligada à menor oferta do produto

Por Da Redação, com Notícias Agrícolas
3 Min

Exportações de café caem 8% em março e somam 3,04 milhões de sacas
Foto: reprodução

As vendas externas de café do Brasil totalizaram 3,040 milhões de sacas de 60 quilos em março, gerando uma receita de US$ 1,12 bilhão, segundo levantamento estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil. Em relação ao mesmo período de 2025, houve redução de 7,8% no volume embarcado e queda de 15,1% na receita, cenário associado à menor oferta do produto no mercado.

Com esse resultado, o país acumulou embarques de 29,093 milhões de sacas nos nove primeiros meses do ano safra 2025/2026, volume 21,2% inferior ao registrado no mesmo período anterior. Mesmo com a diminuição na quantidade exportada, a receita cambial atingiu US$ 11,43 bilhões, representando crescimento de 2,9% na comparação com o intervalo entre julho de 2024 e março de 2025.

Considerando o ano civil, o Brasil exportou 8,46 milhões de sacas no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma retração de 21,2% frente às 10,73 milhões enviadas ao exterior entre janeiro e março de 2025. Já a receita no período somou US$ 3,37 bilhões, recuo de 13,6% em relação aos US$ 3,90 bilhões apurados no mesmo intervalo do ano anterior.

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho está ligado ao período de entressafra da cafeicultura nacional e às condições financeiras dos produtores. Ele ressalta que a nova safra começa a chegar ao mercado a partir de abril, no caso dos cafés canéforas, robusta e conilon, enquanto os arábicas passam a ser disponibilizados mais próximo do fim de maio. Além disso, destaca que os produtores estão capitalizados e aguardam momentos mais favoráveis para comercializar os estoques remanescentes, o que limita a oferta.

Ferreira também menciona a influência de fatores logísticos e geopolíticos nos embarques. Segundo ele, a estrutura portuária ainda defasada no país continua impactando o fluxo de exportações, com contêineres retidos à espera de envio. O dirigente acrescenta que a retomada gradual das negociações com os Estados Unidos após o tarifaço, as incertezas envolvendo a política comercial norte-americana e os entraves no Estreito de Ormuz contribuíram para o aumento dos custos logísticos, elevando o valor dos fretes e dos seguros marítimos.

Entre os principais destinos do café brasileiro no primeiro trimestre de 2026, a Alemanha manteve a liderança, com 1,192 milhão de sacas importadas, equivalente a 14,1% do total e queda de 15,63% na comparação anual. Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 936.617 sacas, recuo de 48,3% e participação de 11,1%. Em seguida estão Itália, com 885.162 sacas e crescimento de 10,2%, Bélgica, com 527.456 sacas e alta de 4,5%, e Japão, com 440.085 sacas e queda de 35%.

Na variação anual entre os principais destinos:

Alemanha: queda de 15,63%
Estados Unidos: queda de 48,3%
Itália: alta de 10,2%
Bélgica: alta de 4,5%
Japão: queda de 35%

O café arábica seguiu como o principal produto exportado no primeiro trimestre de 2026, com 6,712 milhões de sacas, correspondendo a 79,3% do total, apesar da retração de 25,8% na comparação anual. O café solúvel vem em seguida, com 963.168 sacas, leve queda de 1,5% e participação de 11,4%. Já os cafés canéforas somaram 780.911 sacas, com aumento de 11% e fatia de 9,2%. O café torrado e torrado e moído registrou 9.867 sacas, queda de 29,9% e participação de 0,1%.

Na comparação anual por tipo de café:

Arábica:
queda de 25,8%
Solúvel: queda de 1,5%
Canéfora (conilon + robusta): alta de 11%
Torrado e torrado e moído: queda de 29,9%


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