Aditivos funcionais na dieta são essenciais para mitigar o estresse térmico em aves
Estratégia nutricional à base de prebióticos, probióticos, óleos essenciais, enzimas e microminerais orgânicos melhora o aproveitamento de nutrientes e a imunidade dos animais
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O estresse térmico é reconhecido como um dos principais desafios da avicultura moderna, especialmente em regiões de clima quente e em sistemas de criação em galpões abertos, por conta das altas temperaturas frequentes e do pouco controle da ambiência.
Conforme explica a médica-veterinária Luciana Ferreira Campos, gerente de produtos de varejo da Guabi Nutrição e Saúde Animal, o desequilíbrio metabólico gerado pelo fato de as aves ficarem fora da sua zona de conforto térmico em grande parte do dia e por vários dias no ano afeta seu crescimento, o ganho de peso e a produção de ovos. Para mitigar esses efeitos, especialistas recomendam a adoção de soluções nutricionais formuladas com aditivos funcionais.
“Os aditivos funcionais agem sobre os efeitos do estresse térmico ou na prevenção destes efeitos sobre o organismo das aves. Probióticos, prebióticos e óleos essenciais promovem melhorias na saúde intestinal, protegendo as vilosidades, buscando melhorar a integridade intestinal”, detalha a especialista.
Já as enzimas, segundo ela, atuam na melhora da digestibilidade dos ingredientes ingeridos pelas aves, aumentando a disponibilidade de nutrientes. Os minerais orgânicos, por sua vez ajudam a melhorar a imunidade e, juntamente com vitaminas, tem ação antioxidante, auxiliando na proteção das membranas.
“Todos os aditivos somados buscam manter o equilíbrio do metabolismo das aves para diminuir o impacto das perdas na produtividade, devido ao menor consumo de ração, piora da conversão alimentar, queda na imunidade e suscetibilidade a doenças que, consequentemente, impactam no bem-estar dos animais”, complementa.
Ela acrescenta ainda que essas ações, além de terem impacto direto sobre o bem-estar, também influenciam, diretamente, na eficiência e produtividade. “Ao buscar manter maior controle das condições do ambiente e minimizar o efeito deletério no organismo das aves, com os animais dentro da zona de conforto térmico, temos o equilíbrio desse organismo. Isso resulta em maior desempenho, com melhor consumo de ração. Com isso, os benefícios são: melhor ganho de peso, produção e qualidade de ovos, com melhor uniformidade e desempenho dos lotes, além de melhor imunidade, com menor ocorrência de doenças e redução na mortalidade”, resume Luciana.
Os perigos do estresse térmicoLuciana explica que as aves têm uma zona ideal de conforto térmico, que está diretamente relacionado ao bem-estar dos animais; consequentemente, quando estão submetidos à temperatura ideal, apresentam maior produtividade e melhor desempenho zootécnico.
Segundo ela, o conforto térmico é influenciado também pela umidade, que apresenta uma zona ideal; pela ventilação e densidade de aves no criatório. Estas faixas ideiais de temperatura e umidade variam com a idade das aves. “Ao nascer e nas primeiras semanas de vida, elas não têm o mecanismo termorregulador desenvolvido, não conseguem manter a temperatura corporal e são dependentes de fonte de calor externa”, observa.
Na primeira semana, a temperatura ideal para as aves varia de 32 a 35 ºC. Já na sexta semana, gira em torno de 20 ºC e a umidade relativa do ar varia de 50 a 70%. “Com o passar dos dias, elas vão desenvolvendo o mecanismo termorregulador e a zona de conforto térmico vai mudando”, comenta a médica-veterinária.
Quando a temperatura das aves está abaixo da zona de conforto, temos o estresse pelo frio, que afeta mais as aves jovens; quando está acima, ocorre o estresse pelo calor, que é muito comum no clima brasileiro e impacta em maior proporção os animais adultos. “As aves ficam menos ativas, apáticas, vão menos ao cocho; tentando perder calor, também abrem as asas e buscam superfícies mais frias, aumentam a frequência respiratória, ficam com o bico aberto, levando ao desequilíbrio ácido base no organismo”, relata a especialista.
Além disso, Luciana destaca que os animais também diminuem o consumo de ração, o que afeta mais ainda o desempenho e uniformidade dos lotes. Também aumentam o consumo de água, que é uma alternativa para baixarem a temperatura corporal, mas acaba trazendo umidade para a cama dos aviários. Devido a todas as mudanças, também ocorre queda na imunidade, deixando o animal mais suscetível a doenças. Em casos mais graves, o estresse térmico pode resultar até na mortalidade de animais.
A adoção da estratégia e seus desafiosNa avaliação da médica-veterinária, os principais desafios enfrentados para a implementação dessa estratégia vão desde a intensificação de efeitos climáticos adversos, necessidade de melhorias de infraestruturas, investimento em tecnologias, controle e gestão para obtenção de dados e orientação da aplicação das decisões de melhorias, ajustes de manejo, consciência e conhecimento técnico mais disseminado para apoiar a aplicação das soluções (tanto as nutricionais quanto as demais).
Nesse sentido, ela acredita que a adoção e desenvolvimento de tecnologias, de novos materiais para melhoria da ambiência, de automatização de controle de temperatura e umidades do ambiente, de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias nutricionais, tem papel fundamental. “Elas contribuem muito ao trazer soluções inovadoras com previsibilidade, controle dos resultados e melhoria da produtividade”, reforça.
Por fim, Luciana destaca que, tanto no momento atual quanto no fututo, a gestão é considerada essencial para as ações de controle do estresse térmico, responsável por causar tantas perdas à atividade. “Uma gestão assertiva norteia o planejamento de investimentos e tomadas de decisões com estratégias de curto, médio e longo prazo – visto que é necessário agir em várias frentes, como ambiência, manejo e nutrição. Estas ações integradas vão determinar o sucesso e a eficiência desse controle”, conclui a veterinária.