Mercado revisa inflação para 4,17% em 2026

Projeção do PIB sobe para 1,84%

Por -Da redação, com Agência Brasil
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Foto: Leonardo Sá / Agência Senado

A expectativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referência oficial da inflação no país foi ajustada de 4,1% para 4,17% em 2026. Os dados constam no boletim Focus divulgado na segunda-feira (23) pelo Banco Central (BC), que reúne semanalmente as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Em meio às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, a estimativa para a inflação em 2026 voltou a subir pela segunda semana consecutiva. Apesar disso, o índice permanece dentro da faixa de tolerância estabelecida pelo BC.

A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

Em fevereiro, o avanço dos preços nos grupos de transportes e educação fez o IPCA registrar alta de 0,7%, acima dos 0,33% observados em janeiro. Ainda assim, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Para os anos seguintes, as projeções se mantiveram estáveis: 3,8% em 2027, 3,52% em 2028 e 3,5% em 2029.

Taxa Selic

Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. O percentual foi definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que na última reunião decidiu, de forma unânime, reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual. Antes do agravamento das tensões envolvendo o Irã, a expectativa do mercado era de um corte maior, de 0,5 ponto.

A Selic já havia atingido 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25%. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa subiu em sete reuniões consecutivas, permanecendo estável nas quatro decisões seguintes.

Na ata de janeiro, o Copom sinalizou o início de um ciclo de queda nos juros neste mês. No entanto, o comunicado mais recente adotou um tom mais cauteloso diante do aumento das incertezas externas, especialmente ligadas ao Oriente Médio. O Banco Central admite rever o ritmo de cortes, se necessário.

No boletim Focus mais recente, a projeção para a Selic ao fim de 2026 subiu de 12,25% para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, as estimativas indicam recuo para 10,5% e 10%, respectivamente. Já para 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter o consumo e reduzir a pressão sobre os preços, já que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, esse movimento pode limitar o crescimento econômico.

Além da Selic, os bancos consideram fatores como inadimplência, custos operacionais e margem de lucro na definição das taxas cobradas dos clientes.

Em sentido contrário, a redução da Selic tende a baratear o crédito, estimulando o consumo e a produção, o que pode impulsionar a atividade econômica, mas reduzir o controle inflacionário.

PIB e câmbio

No mesmo relatório, a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi levemente revisada, passando de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a expectativa é de expansão de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 a projeção é de crescimento de 2% ao ano.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de bens e serviços produzidos no país, avançou 2,3% em 2025, com desempenho positivo em todos os setores, especialmente na agropecuária. Esse resultado marcou o quinto ano consecutivo de crescimento da economia.

Já a estimativa para o dólar, conforme o Focus, é de R$ 5,40 ao final deste ano. Para o fim de 2027, a previsão é de que a moeda norte-americana alcance R$ 5,45.