Mais etanol na gasolina pode reduzir preço e importações, diz presidente da Unica
São Paulo, 18 - O aumento da mistura de etanol na gasolina pode reduzir o preço do combustível e diminuir a necessidade de importações pelo Brasil em um momento de volatilidade no mercado internacional de petróleo, afirmou em entrevista o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi. \"Se aumentarmos 1% ou 2% de etanol na gasolina, isso tende a diminuir o preço da gasolina. Isso é um fato\", disse. Segundo ele, além de ter custo médio inferior ao da gasolina, o biocombustível também aumenta a octanagem do combustível, o que permite uma gasolina mais barata. De acordo com Gussi, ampliar a participação do etanol também teria impacto na balança comercial. \"Além disso, reduz a demanda por importação de gasolina\", afirmou. O debate ocorre em um momento em que o setor projeta aumento da produção do biocombustível na safra 2026/27. Estimativas de mercado apontam que a oferta pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada tanto por uma safra mais alcooleira de cana quanto pela expansão do etanol de milho. Segundo o dirigente, a indústria teria capacidade de atender uma eventual elevação da mistura - hoje em 30%, com limite legal de até 35% - sem comprometer o abastecimento. \"Absolutamente sem impactos. Isso não seria problema sob o ponto de vista da oferta de etanol\", afirmou. Para Gussi, a maior disponibilidade do biocombustível reforça o papel do etanol como proteção do consumidor brasileiro em períodos de alta do petróleo. \"No caso de a gasolina subir por esse choque que estamos vendo em virtude da guerra, o etanol normalmente funciona como um amortecedor importante\", disse. Na avaliação do dirigente, essa capacidade representa uma vantagem estratégica construída ao longo de décadas pelo Brasil. \"Hoje temos a possibilidade de fazer frente a choques como esse com o etanol hidratado\", afirmou. Ele destacou que poucos países têm alternativa semelhante. \"Nos demais países não existe essa possibilidade de ofertar um substituto para a gasolina. No Brasil, com o etanol, nós temos essa alternativa.\" A eventual elevação da mistura, porém, depende de decisão do governo federal. Segundo Gussi, a indústria tem contribuído com informações técnicas para subsidiar as discussões. \"O governo tem analisado pormenorizadamente cada uma das possibilidades. Como indústria, respeitamos a autoridade governamental para tomar esse tipo de decisão\", disse. Além do aumento da produção, o setor também aposta em campanhas de estímulo ao consumo para ampliar o uso do biocombustível. Segundo Gussi, a campanha \"Vá de Etanol\" continuará ativa com caráter educativo. \"Muitas vezes o consumidor nem sabe que tem um veículo flex\", afirmou. \"A campanha busca mostrar que o etanol pode ser melhor para o carro, gerar economia e reduzir a manutenção\", completou.
Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO
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FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO