23/07/2021 às 10h51min - Atualizada em 23/07/2021 às 10h51min

Mais de 80% das escolas municipais mantêm aula remota

A maior parte das escolas municipais do Brasil iniciou o ano letivo de 2021 de forma remota e seguiu neste modelo após a confirmação da segunda onda da pandemia de covid-19, mostra um estudo divulgado nesta quinta-feira (22) pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Segundo o levantamento, 83,8% das redes municipais começaram as atividades de 2021 de forma remota, e 84,6% mantiveram as escolas fechadas após o aumento de casos e óbitos pelo vírus.

Foram ouvidas 3.355 redes, que respondem por 13 milhões de estudantes, ou cerca de 60% das escolas municipais do país. O estudo foi realizado em conjunto com o Itaú Social e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e foi concluído no dia 9 de julho.

O presidente da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, ressalta que há um ponto de apreensão sobre a elaboração de medidas sanitárias. Segundo a pesquisa, 40,4% das redes municipais ainda não concluíram a construção dos protocolos sanitários. "Vale a ressalva que houve troca de prefeitos e secretários em 2021, o que pode ter atrapalhado esse processo", disse.

Às vésperas do início do segundo semestre, a pesquisa acende um alerta sobre o ritmo em que se dará a reabertura das escolas após cerca de um ano e meio de pandemia. "Temos agora uma grande janela de oportunidade em agosto. Precisamos aproveitar para a reabertura de todas as escolas de maneira híbrida, hoje só utilizada por 15% das redes. Há disputas em torno da decisão sobre a reabertura, mas é importante reconhecer nesse momento que as crianças e adolescentes são as grandes vítimas dessa situação", afirma Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.

Para realizar as atividades não presenciais, a ampla maioria das escolas municipais utiliza material impresso (98,2%) e orientação por WhatsApp (97,5%), segundo a pesquisa. Entre um levantamento anterior e a nova pesquisa, cresceu de 61% para 70% as redes que utilizam aulas gravadas e aplicativos de educação.

Para o segundo semestre, 71,8% dos municípios dizem que o principal desafio é buscar os alunos que não estão acompanhando as atividades e, portanto, correm risco de evasão escolar. Além disso, a conectividade dos alunos e a adequação de infraestrutura das escolas são considerados os maiores desafios neste momento pelas secretarias municipais.

Garcia criticou o pedido de volta às aulas do ministro da Educação, Milton Ribeiro, durante pronunciamento na terça-feira. "O ministro não apresentou efetivamente quais são as ações que o MEC está fazendo no apoio ao retorno", disse, ressaltando que desde o ano passado a entidade faz apelos ao governo federal.

O presidente da Undime e Florence, do Unicef, também rechaçaram a declaração dada ontem pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. "Não tem exigência de vacinar professores, isso é invencionice", disse Queiroga a jornalistas na quarta-feira. Segundo eles, a vacina não é condicionante para a abertura das escolas, mas é fundamental priorizar a imunização dos professores. A pesquisa divulgada hoje aponta que 95% das redes dizem já ter iniciado a vacinação dos professores.

Apesar do retorno ainda lento do ensino presencial, Garcia ressalta que em nenhum momento durante a crise as escolas deixaram de se comunicar com os jovens e pais, distribuir alimentos ou materiais de estudo. "Estamos ansiosos por esse retorno, inicialmente de forma híbrida e depois de forma presencial. Essa nova escola vai precisar ser mais tecnológica e conectada. Não é só equipamento, mas tem também princípios pedagógicos", afirmou o dirigente.

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